Nesta segunda-feira, 25, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, se encontrarão No Palácio do Planalto para definir os detalhes finais da proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa o Fim da Escala de trabalho 6×1. A reunião tem como foco principal o cronograma de transição para a nova jornada semanal de 40 horas com dois dias de folga.
A proposta entra em sua última semana de discussão na Câmara dos Deputados, mas ainda não possui um relatório finalizado. A leitura do parecer na comissão especial está agendada para as 17h, e a votação do texto pode ocorrer na mesma sessão. A análise em plenário está prevista para a quinta-feira, dia 28.
O relator da PEC, Leo Prates, deve apresentar o parecer a Motta antes que o texto seja encaminhado ao presidente Lula e ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho. Um dos principais pontos de discórdia é a forma como a redução da jornada será implementada. Deputados estão discutindo a possibilidade de um período de adaptação de até três anos, durante o qual as empresas passariam das atuais 44 horas semanais para 40 horas.
A proposta em análise sugere uma redução gradual: uma hora ainda este ano, duas horas em 2027 e mais uma hora em 2028. Na última semana, Lula expressou sua insatisfação com a ideia de uma transição prolongada durante uma entrevista ao programa Sem Censura, da EBC. Ele argumentou que um período de quatro anos para reduzir apenas meia hora por ano é inaceitável, ressaltando a necessidade de mudanças mais rápidas.
Além disso, o presidente afirmou estar preparado para enfrentar os parlamentares que se opõem à proposta, afirmando que é importante mostrar ao povo quem está a favor e quem está contra a medida. Essa estratégia, no entanto, tem gerado desconforto entre alguns membros do Congresso, especialmente após conversas entre Prates e o deputado Guilherme Boulos, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência.
Boulos sugeriu que as regras de transição fossem retiradas da PEC e tratadas em um projeto de lei futuro, o que gerou divergências. No Palácio do Planalto, a PEC é considerada uma prioridade política, especialmente em vista das próximas eleições. O governo acredita que a proposta pode influenciar positivamente o desempenho eleitoral de Lula.