A defesa de Daniel Vorcaro, alvo principal da Operação Compliance Zero, está passando por uma reformulação significativa. O advogado Sérgio Leonardo, que assume o lugar de José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, planeja apresentar uma delação mais robusta, com o intuito de reduzir a responsabilidade do fundador do Banco Master nas investigações em curso.
A nova estratégia da defesa visa diminuir o impacto das provas já obtidas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A equipe de defesa argumentará que os elementos coletados até o momento não são suficientes para demonstrar a intenção criminosa ou a participação direta de Vorcaro nos delitos investigados.
Nos bastidores da Operação Compliance Zero, a percepção é de que a investigação já possui um conjunto robusto de evidências que não necessitam de uma delação por parte de Vorcaro para seguir adiante. A mudança na defesa ocorre em um momento crítico, especialmente após a saída de Juca nesta sexta-feira (22).
Em um desdobramento relacionado à condição de Vorcaro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou o retorno do banqueiro para uma cela especial na Superintendência da PF em Brasília. Essa decisão foi tomada após reclamações sobre as condições inadequadas da cela comum, onde Vorcaro relatou problemas como a presença de um vaso sanitário no chão e a falta de um sistema de água quente para banho.
A proposta de delação de Vorcaro enfrenta desafios, especialmente após a PF ter rejeitado um acordo de delação premiada na última quinta-feira (21). A avaliação da PF foi de que as provas que Vorcaro apresentou eram insuficientes e que ele ainda escondia informações cruciais para o caso. Entretanto, o MPF concedeu uma nova oportunidade ao banqueiro para que ele apresentasse provas mais concretas e relevantes para a investigação.
Essa nova chance de acordo com a PGR representa a última possibilidade para Vorcaro obter benefícios, como a redução de pena ou a possibilidade de prisão domiciliar. Para que o acordo de delação premiada seja efetivo, será necessário que ele forneça informações que ainda não sejam conhecidas pela investigação, além de comprovar a veracidade dos dados apresentados por meio de documentos, mensagens ou extratos.