A Suprema Corte dos Estados Unidos protagonizou uma nova reviravolta na política americana ao permitir que o Alabama avance na criação de um novo mapa eleitoral. Essa decisão, que ocorreu com um placar de 6 votos a 3, anula uma ordem judicial anterior que exigia a manutenção de dois distritos com maioria ou forte influência de eleitores negros. Essa mudança potencializa a possibilidade de os republicanos do Alabama redesenharem o mapa, focando a força eleitoral negra em um único distrito.
A questão transcende o cenário do Alabama, refletindo uma transformação mais ampla na Suprema Corte sob a atual maioria conservadora. Esse episódio reacende discussões sobre direitos civis, manipulação eleitoral e o futuro da Voting Rights Act, uma legislação fundamental na história dos Estados Unidos, criada em 1965.
Atualmente, o Alabama conta com sete cadeiras na Câmara dos Representantes. Após intensas disputas judiciais, um mapa previamente aprovado pela Justiça garantiu a criação de dois distritos que possibilitaram a eleitores negros a chance real de eleger candidatos de sua escolha. Esse redesenho foi crucial para que os democratas conseguissem aumentar sua representação no estado nas eleições recentes.
Com a nova decisão da Suprema Corte, há um risco de retrocesso. A medida foi tomada apenas algumas semanas após um outro julgamento relevante relacionado à Louisiana, onde a Corte também restringiu a proteção oferecida pela legislação que historicamente defende a representação de minorias raciais.
Para especialistas em direito eleitoral, essas decisões evidenciam uma mudança significativa na interpretação da Voting Rights Act. Os três ministros liberais da Corte expressaram opiniões divergentes. A juíza Sonia Sotomayor, por exemplo, criticou a decisão, alegando que ela ignora evidências de discriminação racial e pode causar “caos” próximo ao calendário eleitoral.
Organizações civis também levantaram preocupações, acusando a Suprema Corte de enfraquecer mecanismos de proteção ao voto negro nos estados do sul dos Estados Unidos. No Alabama, onde aproximadamente 27% da população é negra, críticos afirmam que os novos mapas eleitorais tendem a diminuir a influência política dessa parcela significativa do eleitorado.