Da Câmara à Secretaria: a trajetória de Amália Tortato e os projetos que ganharam vida em Curitiba

Amalia PR

A trajetória de Amália Tortato na vida pública começou na Câmara Municipal de Curitiba, mas foi além da tribuna e dos discursos. Ao longo dos últimos anos, projetos ligados à saúde, à infância, à inclusão, à liberdade econômica e à relação entre o poder público e as organizações sociais passaram a fazer parte da rotina da cidade.

Eleita vereadora pela primeira vez em 2020, com 3.092 votos, Amália exerceu o mandato entre 2021 e 2024. Em 2024, foi reeleita com 6.206 votos. Antes de retornar à Câmara para um novo mandato, porém, recebeu um convite para assumir a recém-criada Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano de Curitiba.

Na Câmara, Amália ganhou destaque pela postura de fiscalização e pelo combate à burocracia. A própria Casa chegou a chamá-la de “Voz da Lava Jato”, em referência à sua atuação em pautas relacionadas ao combate à corrupção.

Também ficou conhecida por adotar uma postura de economia dos recursos públicos. Durante o mandato, abriu mão de carro oficial, auxílio-combustível e cota de impressão, além de manter uma equipe enxuta. Com isso, devolveu mais de R$ 1 milhão aos cofres públicos.

Mas alguns dos projetos que marcaram sua passagem pelo Legislativo foram justamente aqueles que buscaram transformar problemas do dia a dia em políticas públicas.

Um dos principais exemplos é a Lei Heitor e Henry, que ampliou de sete para cerca de 30 o número de doenças detectadas pelo Teste do Pezinho em Curitiba. A legislação foi sancionada em setembro de 2024 e entrou em vigor em março de 2025.

A proposta ganhou força a partir da história de dois irmãos. Henry teve acesso ao teste ampliado ainda nas primeiras horas de vida, enquanto Heitor só recebeu o diagnóstico meses depois, quando a doença já havia provocado sequelas. A diferença entre as duas histórias ajudou a mostrar, na prática, o impacto que um diagnóstico precoce pode ter na vida de uma criança.

O projeto teve forte apoio dentro da Câmara e chegou a reunir até 22 dos 38 vereadores como coautores, envolvendo diferentes partidos.

Outro projeto que saiu do papel foi a flexibilização do horário de funcionamento do comércio. A Lei 16.085/2022 encerrou uma restrição que existia em Curitiba desde 1990 e permitiu que os estabelecimentos comerciais tivessem maior liberdade para definir seus horários de funcionamento.

A proposta foi aprovada por ampla maioria dos vereadores e contou com apoio de entidades ligadas ao setor comercial. Amália participou diretamente da articulação do projeto e das discussões com representantes do comércio.

Se no Legislativo Amália se dedicou a fiscalizar e propor mudanças, na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano o desafio passou a ser outro: fazer essas ideias funcionarem na prática.

À frente da pasta a partir de janeiro de 2025, ela participou da estruturação da secretaria, criada para atuar em áreas como infância e adolescência, pessoas com deficiência, população idosa, pessoas em situação de rua, imigrantes, prevenção ao uso indevido de drogas e fortalecimento das organizações da sociedade civil.

Foi nesse período que surgiu um dos projetos de maior alcance de sua gestão, o Olhar que Transforma.

Lançado em março de 2026, o programa prevê investimento de R$ 8 milhões para levar avaliação oftalmológica aos cerca de 80 mil estudantes matriculados nas 188 escolas municipais de Ensino Fundamental de Curitiba. As crianças que precisam de correção visual recebem óculos gratuitamente.

A iniciativa foi construída em parceria com as secretarias municipais de Educação e Saúde e cinco instituições oftalmológicas da cidade. A estimativa apresentada pela Secretaria é de que até 40% dos estudantes possam apresentar algum grau de necessidade de correção visual.

A lógica é simples: uma criança que não enxerga direito pode ter dificuldade para acompanhar as aulas, ler ou manter a atenção. Muitas vezes, esse problema acaba sendo confundido com desinteresse ou dificuldade de aprendizagem.

A atuação na Secretaria também levou Amália a mexer em uma área menos visível, mas que afeta diretamente o trabalho de dezenas de organizações sociais.

A Prefeitura passou a utilizar o Sistema e-Parcerias, que digitalizou processos e reduziu a quantidade de documentos e procedimentos manuais enfrentados pelas entidades. A pasta também criou o Guia de Desenvolvimento Humano e o programa Conecta Parcerias, que já reuniu 1.386 participantes em sete encontros voltados à capacitação das organizações.

Outra mudança permitiu que bens adquiridos por entidades com recursos de fundos municipais permanecessem com as próprias instituições após o encerramento dos convênios, evitando que equipamentos e outros patrimônios acabassem sem utilização.

A secretaria também mudou uma regra que dificultava o acesso de organizações sociais a emendas parlamentares. Com a alteração, mais de 60 instituições passaram a receber recursos que antes ficavam inacessíveis por exigências burocráticas.

É uma característica que aparece em diferentes momentos da trajetória de Amália: identificar uma trava, entender por que ela existe e tentar mudar a regra.

Da Câmara à Secretaria, a atuação passou por diferentes áreas, mas manteve uma mesma linha de trabalho. Saúde, educação, infância, comércio, terceiro setor e gestão pública acabaram conectados por uma ideia central: transformar demandas que chegam até o poder público em ações concretas.

Agora, depois da experiência no Legislativo e na gestão municipal, Amália Tortato se prepara para um novo desafio. Ela é candidata a deputada estadual pelo Paraná.