Na manhã de 10 de setembro de 2024, por volta de 6h15, uma corrida de teste de aptidão física (TAF) realizada por alunos da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) do Exército Brasileiro na Avenida Duque de Caxias, em Deodoro, no Rio de Janeiro, resultou em uma altercação. Durante a atividade, um ciclista em trajes civis que passava pelo local fez comentários desrespeitosos aos jovens capitães que corriam na pista, chamando-os de "bando de burro".
A reação dos alunos não tardou e alguns deles revidaram com ofensas, o que prolongou a discussão até que o ciclista se afastou, aparentemente encerrando o conflito. No entanto, o ciclista decidiu voltar e provocá-los novamente, levando a uma situação de quase confronto físico, onde ele chegou a agarrar o braço de um dos capitães. A tensão foi controlada por um outro capitão, que interveio antes que a situação se agravasse ainda mais.
O que surpreendeu a todos foi a revelação da identidade do ciclista, que se tratava de um General de Brigada, então comandante da Brigada de Infantaria Paraquedista, identificado como Emílio Vanderlei Ribeiro. Uma denúncia acessada pela Revista Sociedade Militar destacou que, apesar de sua posição hierárquica superior, o general ofendeu os militares, contribuindo para a escalada do conflito.
Após os incidentes, enquanto os capitães G. e M. continuaram com o TAF, o general se dirigiu à organização do evento para formalizar uma reclamação. No dia seguinte, 11 de setembro, os capitães receberam um Formulário de Apuração de Transgressão Disciplinar (FATD), que, surpreendentemente, não mencionou as ofensas feitas pelo general nem a quase briga protagonizada por ele.
O general Emílio Vanderlei Ribeiro já havia se tornado um nome conhecido entre os militares, especialmente após um episódio recente em que tentou intimidar o deputado Marcel Van Hattem nas dependências da Câmara dos Deputados. O parlamentar registrou um boletim de ocorrência na Polícia da Câmara contra o general, que pode enfrentar dificuldades para adentrar o Congresso Nacional em futuras ocasiões.
Desde o incidente, a imagem do general passou a ser alvo de piadas internas, sendo chamado de "general bicicletinha" dentro do Exército. Após o episódio de intimidação envolvendo o deputado Van Hattem, ele pode também ser conhecido como "general recadinho", refletindo a crescente insatisfação entre os militares em relação ao comando atual do Exército Brasileiro e a crise de legitimidade que a instituição enfrenta.