Conflito entre Irã e Israel completa 100 dias com intensificação de ataques

Após 100 dias de hostilidades, Israel e Irã intensificam os ataques, com consequências graves no Líbano. O conflito já resultou em mais de 3.600 mortes e complicações nas negociações de paz.
Soldados libaneses montam guarda enquanto equipes de resgate inspecionam os dano
Soldados libaneses montam guarda enquanto equipes de resgate inspecionam os dano

No último domingo (7), Israel lançou um ataque nos subúrbios ao sul de Beirute, área dominada pelo Hezbollah, grupo aliado ao Irã. O ataque resultou na morte de duas pessoas e deixou 20 feridos, incluindo quatro mulheres e quatro crianças, conforme informações do Ministério da Saúde do Líbano. Essa ação é uma resposta aos disparos que atingiram seu território, apesar da tentativa de cessar-fogo que não conseguiu interromper a violência que já dura 100 dias.

Os ataques realizados por Israel foram acompanhados de relatos de duas ofensivas iranianas com drones, as primeiras desde o cessar-fogo estabelecido em 8 de abril. Em consequência, as aulas em Israel foram suspensas nesta segunda-feira. Teerã comunicou que Israel ultrapassou “todas as linhas vermelhas” no Líbano, e suas autoridades ameaçaram retaliar contra interesses americanos e israelenses na região do Oriente Médio.

As chances de um acordo para encerrar o conflito, que já causou impactos na economia global, parecem cada vez mais remotas. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o bloqueio naval imposto ao Irã e a autorização dos Estados Unidos ao regime israelense tornam as bases e ativos americanos na região alvos legítimos. Ele reforçou que as forças armadas iranianas terão liberdade para agir conforme necessário.

Apesar das dificuldades nas negociações de paz, o Paquistão, atuando como mediador, continua seus esforços. O ministro do Interior paquistanês, Mohsen Naqvi, fez uma nova visita a Teerã, onde entregou uma “carta especial” ao líder supremo Mojtaba Khamenei, embora não tenha revelado o conteúdo do documento. O porta-voz da chancelaria iraniana, Ismael Baqai, descreveu o processo de negociação como “trabalhoso” e criticou as mudanças de postura do governo americano.

Desde o início do conflito em março, as hostilidades entre os dois países já resultaram em pelo menos 3.613 mortes, de acordo com as autoridades. Do lado israelense, 29 soldados e um funcionário civil foram mortos no Líbano. O Irã exige que qualquer acordo com os Estados Unidos inclua o fim das hostilidades no território libanês, enquanto os Estados Unidos preferem tratar os assuntos separadamente.

Em meio a esse cenário, o presidente americano Donald Trump solicitou a Israel que os ataques contra o Hezbollah sejam mais “cirúrgicos”. As divergências entre Teerã e Washington continuam a se acentuar em temas como o conflito no Líbano, ativos iranianos congelados, a questão nuclear e o controle do Estreito de Ormuz. Além disso, o Irã, que está participando da Copa do Mundo de futebol organizada por Estados Unidos, México e Canadá, denunciou um “tratamento discriminatório” contra sua delegação, pois diversos membros da equipe técnica não conseguiram obter vistos para entrar nos Estados Unidos.