No último domingo (7), Israel lançou um ataque nos subúrbios ao sul de Beirute, área dominada pelo Hezbollah, grupo aliado ao Irã. O ataque resultou na morte de duas pessoas e deixou 20 feridos, incluindo quatro mulheres e quatro crianças, conforme informações do Ministério da Saúde do Líbano. Essa ação é uma resposta aos disparos que atingiram seu território, apesar da tentativa de cessar-fogo que não conseguiu interromper a violência que já dura 100 dias.
Os ataques realizados por Israel foram acompanhados de relatos de duas ofensivas iranianas com drones, as primeiras desde o cessar-fogo estabelecido em 8 de abril. Em consequência, as aulas em Israel foram suspensas nesta segunda-feira. Teerã comunicou que Israel ultrapassou “todas as linhas vermelhas” no Líbano, e suas autoridades ameaçaram retaliar contra interesses americanos e israelenses na região do Oriente Médio.
As chances de um acordo para encerrar o conflito, que já causou impactos na economia global, parecem cada vez mais remotas. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o bloqueio naval imposto ao Irã e a autorização dos Estados Unidos ao regime israelense tornam as bases e ativos americanos na região alvos legítimos. Ele reforçou que as forças armadas iranianas terão liberdade para agir conforme necessário.
Apesar das dificuldades nas negociações de paz, o Paquistão, atuando como mediador, continua seus esforços. O ministro do Interior paquistanês, Mohsen Naqvi, fez uma nova visita a Teerã, onde entregou uma “carta especial” ao líder supremo Mojtaba Khamenei, embora não tenha revelado o conteúdo do documento. O porta-voz da chancelaria iraniana, Ismael Baqai, descreveu o processo de negociação como “trabalhoso” e criticou as mudanças de postura do governo americano.
Desde o início do conflito em março, as hostilidades entre os dois países já resultaram em pelo menos 3.613 mortes, de acordo com as autoridades. Do lado israelense, 29 soldados e um funcionário civil foram mortos no Líbano. O Irã exige que qualquer acordo com os Estados Unidos inclua o fim das hostilidades no território libanês, enquanto os Estados Unidos preferem tratar os assuntos separadamente.
Em meio a esse cenário, o presidente americano Donald Trump solicitou a Israel que os ataques contra o Hezbollah sejam mais “cirúrgicos”. As divergências entre Teerã e Washington continuam a se acentuar em temas como o conflito no Líbano, ativos iranianos congelados, a questão nuclear e o controle do Estreito de Ormuz. Além disso, o Irã, que está participando da Copa do Mundo de futebol organizada por Estados Unidos, México e Canadá, denunciou um “tratamento discriminatório” contra sua delegação, pois diversos membros da equipe técnica não conseguiram obter vistos para entrar nos Estados Unidos.