Como você seria nos anos 80? Trend de IA viraliza nas redes

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Franjas volumosas, cabelos armados, maquiagem marcada e produções que parecem ter saído diretamente de um álbum antigo. Uma nova trend de inteligência artificial está levando celebridades e internautas de volta aos anos 1980 ao transformar fotos atuais em versões inspiradas na estética da época.

Virginia Fonseca, Sabrina Sato, Ivete Sangalo, Graciele Lacerda e Patricia Poeta estão entre as famosas que aderiram à brincadeira, que rapidamente ganhou espaço nas redes sociais.

A proposta é simples: o usuário envia uma fotografia para uma ferramenta de inteligência artificial e escolhe uma referência visual inspirada nos anos 80. A tecnologia pode modificar cabelo, maquiagem, roupas, iluminação e até o cenário, preservando os principais traços do rosto.

Conforme O Globo, a graça está justamente em descobrir como seria a própria aparência em outra época. O resultado, além de despertar curiosidade, também incentiva outras pessoas a reproduzirem a experiência.

Para Kenneth Corrêa, professor da FGV, especialista em dados e tecnologias emergentes e CTO na MedGuias, o formato facilita a participação porque transforma quem vê a publicação em parte da própria tendência.

“A trend dos anos 80 viraliza porque não é um conteúdo, é um convite. Quem cruza no feed com a foto de um amigo recebe uma pergunta implícita: como eu ficaria nessa mesma estética? O rosto entrega a familiaridade e a década entrega a novidade. Além disso, o custo de imitação praticamente desapareceu: o que antes exigia roupa, cabeleireiro, cenário e fotógrafo hoje precisa de uma selfie e um comando”, afirma.

A participação de celebridades também contribui para ampliar o alcance. Ao publicarem suas próprias versões, elas despertam a curiosidade dos seguidores e mostram, na prática, como a brincadeira pode ser reproduzida.

Segundo Léo Soares, especialista em inteligência artificial, a combinação entre nostalgia, identificação pessoal e facilidade de participação ajuda a explicar o sucesso da trend.

“Essas trends combinam nostalgia, identidade e facilidade de participação. A pessoa pode se enxergar mais jovem, mais velha, em outra época ou em uma versão cinematográfica de si mesma. Isso mexe com vaidade, curiosidade e construção de identidade. Quando famosos entram na brincadeira, ampliam muito o alcance e funcionam como uma validação da tendência”, avalia.

Quando a versão criada pela IA vira referência

Apesar do caráter divertido, a experiência também pode influenciar a maneira como algumas pessoas passam a enxergar a própria aparência. Uma imagem criada por inteligência artificial não está limitada às características reais de cabelo, pele ou estrutura facial.

A dermatologista e tricologista Angélica Pimenta chama atenção para essa diferença, principalmente quando a fotografia gerada pela tecnologia passa a ser utilizada como parâmetro de beleza.

“A inteligência artificial consegue alterar volume, densidade, textura e comprimento dos cabelos, além de criar uma pele visualmente muito uniforme. O resultado pode ser extremamente convincente, mas continua sendo uma construção digital”, ressalta.

Na vida real, fatores como genética, idade, saúde do couro cabeludo e características da fibra capilar influenciam diretamente a aparência dos fios. O mesmo acontece com a pele, que possui textura, poros e alterações naturais ao longo do tempo.

Por isso, a especialista reforça a importância de separar a experiência virtual das expectativas em relação ao corpo real.

“A tecnologia pode ser divertida para experimentar outra época ou imaginar um visual, desde que aquela versão não se transforme em uma cobrança para que o corpo real reproduza algo criado por algoritmo”, pontua.

O rosto idealizado também chega ao consultório

A situação ganha outra dimensão quando uma imagem produzida por inteligência artificial deixa de ser apenas uma brincadeira e passa a servir como referência para procedimentos estéticos.

Para o cirurgião plástico Yuri Moresco, existe uma diferença entre apresentar uma inspiração encontrada em outra pessoa e levar ao profissional uma versão digitalmente modificada do próprio rosto.

“Quando alguém mostra a fotografia de outra pessoa, geralmente é mais fácil compreender que existem diferenças anatômicas. Com a inteligência artificial surge uma situação nova: o paciente pode olhar para uma versão modificada do próprio rosto e pensar: ‘sou eu, só que melhor’”, alerta.

Segundo o especialista, uma única imagem pode reunir proporções, contornos e características que não necessariamente seriam possíveis de reproduzir da mesma forma em uma pessoa real.

“A IA pode até ajudar a comunicar preferências estéticas, mas uma imagem artificial nunca deve ser tratada como promessa ou planejamento de resultado cirúrgico”, pondera.

E o que acontece com a foto enviada?

Existe ainda uma questão que nem sempre aparece quando a trend chega às redes sociais: o destino da fotografia utilizada para gerar a imagem.

Para participar, o usuário precisa enviar uma foto do próprio rosto para uma plataforma de inteligência artificial. Dependendo da ferramenta, o arquivo pode estar sujeito a diferentes regras de armazenamento e utilização.

Marcos Leite, diretor da SPS Group e especialista em segurança digital para empresas, recomenda verificar as condições de uso antes de enviar uma imagem pessoal.

“É importante verificar quem está por trás da ferramenta, quais dados ela coleta, por quanto tempo as imagens ficam armazenadas e se podem ser utilizadas para treinamento de inteligência artificial”, orienta.

O cuidado é ainda mais importante quando se trata de dados biométricos. A fotografia do rosto está associada à identidade de uma pessoa e, diferentemente de uma senha, não pode simplesmente ser trocada caso seja exposta ou utilizada de maneira inadequada.

Por isso, antes de aderir à próxima trend, vale conferir a política de privacidade da plataforma escolhida e evitar ferramentas que não expliquem de forma clara como as imagens enviadas serão armazenadas e utilizadas.



Fonte:A Rede PG