As emissoras Panamericana (Jovem Pan) e Record já haviam transmitido individualmente a Copa de 1950, realizada no Brasil. No entanto, em 1954, uniram forças para a cobertura do mundial disputado na Suíça, sob a propriedade de Paulo Machado de Carvalho.
O bibliotecário do Museu do Futebol, Ademir Takara, conduziu uma pesquisa em edições da Gazeta Esportiva daquele ano e encontrou anúncios que destacavam a cobertura realizada na Europa. Além da Panamericana e da Record, outras rádios, como Mauá, de Rio de Janeiro, Olinda, de Recife, e Atlântica, de Santos, também participaram do pool de transmissões.
Durante a competição, Pedro Luiz era o locutor da Panamericana e Geraldo José de Almeida, da Record. Apesar de não haver registros dos áudios das transmissões, é incerto se os locutores revezavam por jogo ou a cada tempo de uma mesma partida. As imagens dos jornais da época, entretanto, são fundamentais para recontar a evolução do rádio esportivo no Brasil.
As transmissões contaram com o patrocínio da marca “Tricomicina”, que promovia um produto para combater a calvície. É provável que durante as coberturas, os locutores mencionassem a marca em suas falas.
Na Copa de 1954, a seleção brasileira teve um início promissor, vencendo o México por 5 a 0 e empatando com a Iugoslávia em 1 a 1 na fase de grupos. No entanto, a equipe, sob o comando de Zezé Moreira, foi eliminada pela Hungria nas quartas de final, em um jogo que ficou conhecido como “A batalha de Berna”, com o placar de 4 a 2. Djalma Santos e Didi, que se destacaram na competição, se tornariam campeões do mundo quatro anos depois, na Suécia.
Os anúncios encontrados revelam que a Panamericana e a Record também transmitiram partidas de outras seleções, ampliando a cobertura e o alcance das transmissões radiofônicas durante o torneio.