CNI alerta sobre novas tarifas dos EUA e seus efeitos nas exportações brasileiras

A Confederação Nacional da Indústria critica as tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos, que podem afetar 80% das exportações da indústria paranaense e agravar a competitividade do setor no Brasil.
exportacoes-Brasil-tarifaco-EUA-scaled-1

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação em relação às tarifas recentemente impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, destacando que essa medida piora o cenário para a indústria nacional e acentua a insegurança para as empresas de ambos os países. O comunicado da entidade foi divulgado na quarta-feira (15).

Ricardo Alban, presidente da CNI, afirmou que a nova taxação de 25% compromete ainda mais a competitividade da indústria brasileira, dificultando a recuperação das exportações para o mercado norte-americano. Alban projeta que o quadro tende a se agravar, o que poderá corroer ainda mais a posição da indústria nacional no comércio internacional.

Dados da CNI indicam que, no primeiro semestre deste ano, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 13%, totalizando uma redução de US$ 2,6 bilhões. A diminuição foi impulsionada por uma queda de 8,7% nas vendas de produtos industriais, com destaque para itens como produtos semimanufaturados de ferro e aço e óleos de petróleo.

A CNI alerta que aproximadamente 4,2 mil produtos brasileiros serão impactados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Alban enfatizou que é fundamental reverter essa situação e retomar as relações comerciais que historicamente existem entre Brasil e Estados Unidos.

No Paraná, a situação é ainda mais preocupante, uma vez que cerca de 80% das exportações da indústria local para os EUA serão afetadas pela nova sobretaxa. A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) estima um prejuízo que pode alcançar US$ 1,3 bilhão, refletindo o impacto severo da medida.

As tarifas foram impostas com base na Seção 301 da Lei do Comércio dos EUA, seguindo a recomendação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR). O governo americano justifica a ação alegando que o Brasil adota práticas prejudiciais, incluindo questões relacionadas ao comércio digital e ao combate ao desmatamento ilegal.