CGU aponta suspeita de excesso em orçamento de ponte reconstruída pelo Dnit

Auditoria da Controladoria-Geral da União encontrou indícios de sobrepreço superior a R$ 20 milhões no contrato de R$ 171,9 milhões para reconstrução da ponte Juscelino Kubitschek, que desabou em 2024 e matou 14 pessoas. O valor final atingiu R$ 174,6 milhões após aditivo, o que pode indicar falhas na formação de preços e na pesquisa de mercado.
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A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou possíveis irregularidades no contrato firmado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para a reconstrução da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, localizada na BR-226 entre Tocantins e Maranhão. O valor inicial do projeto era de R$ 171,9 milhões, mas a auditoria sugere que o custo poderia ser reduzido em até R$ 20,4 milhões, indicando sobrepreço.

A nova ponte foi entregue em 22 de dezembro de 2025, após o desabamento ocorrido em 2024 que resultou em 14 mortes. A obra foi financiada pelo Novo PAC e contratada por dispensa de licitação, o que eliminou a possibilidade de descontos competitivos. Com um aditivo assinado dois dias após a entrega, o orçamento passou para R$ 174,6 milhões, segundo a CGU.

O relatório, finalizado em novembro, destaca fragilidades na metodologia de estimativa de custos, falta de rigor na pesquisa de mercado e riscos de aditivos que elevam o valor. Além disso, aponta um possível conflito entre pagamentos por itens unitários e o regime estabelecido de empreitada por preço global. Como referência, citou licitação de uma ponte na BR-349, entre Alagoas e Sergipe, que registrou desconto de cerca de 24%.

A ponte original, construída em 1960, desabou enquanto dois caminhões a atravessavam. Um dos veículos transportava ácido sulfúrico e o outro, defensivos agrícolas. Documentos internos do Dnit, de 2020, já alertavam sobre fissuras, armaduras expostas e danos estruturais nos pilares e no tabuleiro da estrutura.