Celso Amorim critica intervenção estrangeira sob pretexto de combate ao crime organizado

O assessor especial para assuntos internacionais de Lula, Celso Amorim, defende que a segurança é uma questão nacional e que a cooperação internacional não deve justificar intervenções inaceitáveis, em resposta à classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos EUA.
Foto: Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Foto: Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O assessor especial para assuntos internacionais do governo Lula, Celso Amorim, manifestou sua posição sobre a recente decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Amorim enfatizou que, embora o combate ao crime organizado seja essencial, a segurança é um assunto de caráter nacional, e a cooperação internacional não pode servir como justificativa para intervenções que considera "inaceitáveis".

A declaração de Amorim ocorreu durante um discurso no XIV Encontro Internacional de Altos Representantes para Assuntos de Segurança, realizado na Rússia, e foi reiterada em uma entrevista ao site g1 na noite de 28 de maio. "Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico", afirmou Amorim, salientando a importância de uma abordagem eficaz para enfrentar o crime organizado.

O assessor destacou que a cooperação internacional é bem-vinda em áreas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas, mas fez questão de ressaltar que "pretexto para intervenção é inaceitável". Ele também criticou a equação do crime organizado com o terrorismo, afirmando que essa postura não contribui para o combate efetivo a esses problemas.

“Equiparar o crime organizado ao terrorismo não é útil”, disse o assessor, que acredita que compreender as motivações por trás do crime é crucial para uma resposta eficaz. Amorim classificou o crescimento do crime organizado como uma "séria ameaça à segurança" e defendeu que o combate deve ser realizado com determinação.

Até o momento, nem a Presidência da República nem o Ministério das Relações Exteriores se pronunciaram oficialmente sobre a decisão do governo Trump, que foi motivada por um pedido do senador Flávio Bolsonaro, do PL. A situação gera um debate acalorado sobre a segurança pública e a atuação internacional no combate ao narcotráfico e ao crime organizado no Brasil.

A discussão em torno da segurança pública e da cooperação internacional continua a ser um tema de relevância crescente, especialmente em um cenário onde o crime organizado se torna cada vez mais complexo e interconectado em nível global.