A ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, enfatizou nesta segunda-feira (27) a necessidade de fortalecer a democracia no Brasil sem a influência de fatores externos. Durante sua participação na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, ela destacou que somente os cidadãos brasileiros têm a legitimidade necessária para determinar os rumos do país.
Cármen Lúcia alertou sobre a importância da preservação das instituições democráticas e expressou preocupação com ações que possam comprometer o sistema democrático. Embora não tenha mencionado nomes específicos, suas declarações surgem em um contexto de tensões diplomáticas entre o Brasil e os Estados Unidos, especialmente após comentários do presidente norte-americano Donald Trump sobre a política brasileira.
Recentemente, o Brasil negou visto a oficiais dos EUA que desejavam investigar as urnas eletrônicas, uma questão que tem gerado polêmica. Além disso, a relação com a Argentina também se deteriorou após declarações do presidente Javier Milei, que criticou Lula e Alexandre de Moraes de maneira contundente.
“É preciso fortalecer a democracia no Brasil e em todos os lugares do mundo, para que ninguém queira também interferir e fragilizar a nossa democracia”, declarou a ministra durante seu discurso.
Ela também ressaltou a importância da participação da sociedade e da produção científica na consolidação do Estado Democrático de Direito. Cármen Lúcia argumentou que espaços de debate, como a reunião da SBPC, são fundamentais para o fortalecimento das instituições e da democracia.
A ministra reiterou que o compromisso com os valores democráticos requer vigilância constante frente a tentativas de enfraquecimento institucional. Suas falas refletem um momento crucial de discussão sobre a soberania do Brasil e a integridade do sistema eleitoral, especialmente em razão dos recentes questionamentos levantados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre as urnas eletrônicas, que já foram respondidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anteriormente.