O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, decidiu redirecionar US$ 52 milhões em financiamento militar para quatro nações do Hemisfério Ocidental: Panamá, Peru, Equador e Colômbia. O Brasil, por sua vez, não foi incluído nesse pacote, que tinha como alvo inicial países da Europa e do Oriente Médio, como Eslováquia, Macedônia do Norte, Tunísia e Iraque.
A mudança na alocação dos recursos foi comunicada ao Congresso americano pelo Departamento de Estado, que justificou a decisão com base na nova prioridade do governo Trump em relação à segurança no Hemisfério Ocidental. Os fundos serão destinados principalmente ao combate ao narcotráfico e ao narcoterrorismo, além de reforçar a segurança do Canal do Panamá e aumentar a presença estratégica dos Estados Unidos na região.
A exclusão do Brasil desse pacote militar é notável, especialmente considerando que o país não faz parte de algumas das principais iniciativas de segurança regional promovidas por Trump em seu segundo mandato. Em março, o presidente lançou o Escudo das Américas, uma coalizão voltada para o combate a cartéis e organizações criminosas transnacionais, além de promover a cooperação de segurança entre Washington e os governos do continente. O Brasil não participou do evento de lançamento, que contou com a presença da Jovem Pan.
Além disso, o Brasil também ficou fora da formação inicial da Americas Counter-Cartel Coalition, iniciativa criada pelos Estados Unidos para fortalecer o compartilhamento de inteligência e a cooperação no combate a organizações criminosas na América Latina. Enquanto isso, outros países da região têm aprofundado suas relações com Washington, com o Panamá e o Equador assumindo papéis centrais nas iniciativas de segurança americanas. O Peru já anunciou sua adesão ao Escudo das Américas, e a Colômbia tem intensificado a cooperação na área de segurança e combate ao narcotráfico.
Com a destinação dos US$ 52 milhões, Panamá, Peru, Equador e Colômbia se destacam como os países escolhidos para receber esses recursos, enquanto o Brasil permanece à margem dessas iniciativas. Não há declarações oficiais da Casa Branca ou do Departamento de Estado que expliquem a exclusão do Brasil do pacote, mas a situação evidencia as diferenças nas abordagens de Brasília e Washington em relação ao combate ao crime organizado.
O governo Trump tem pressionado por medidas mais rigorosas contra organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho, defendendo uma estratégia regional integrada para enfrentar o narcotráfico e o crime transnacional. O Brasil, embora mantenha uma cooperação bilateral com os Estados Unidos em áreas como tráfico de drogas e armas, não se integrou ao modelo regional de segurança que Washington está tentando estabelecer.