Banco Digimais é alvo de investigação da Polícia Federal por fraudes financeiras

O Banco Digimais, controlado por Edir Macedo, está sob investigação da Polícia Federal após a Operação Miragem, que apura fraudes em operações de crédito e irregularidades financeiras.
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O Banco Digimais, uma instituição financeira sob o controle de Edir Macedo, foi alvo da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal no dia 23. A operação visa investigar suspeitas de fraudes financeiras e irregularidades nas operações de crédito realizadas pela instituição.

Fundado em 1981, em Porto Alegre, o Banco Digimais tem suas raízes no antigo Banco Renner, que foi criado pela família Renner. No início, a instituição tinha como foco a concessão de empréstimos consignados e o financiamento de veículos, atuando principalmente no varejo. A relação de Edir Macedo com o banco começou em 2009, quando o Grupo Record adquiriu 40% das ações do Banco Renner. Essa aquisição foi formalmente aprovada pelo Banco Central em 2013, quando Macedo e sua esposa, Ester Bezerra, passaram a deter 49% da instituição.

O controle total do banco foi alcançado em 2020, quando o casal adquiriu a totalidade das ações. A partir de então, a instituição passou por uma reformulação e mudou seu nome para Banco Digimais. A Polícia Federal aponta que as irregularidades investigadas estão ligadas a operações realizadas nos últimos anos. Em março de 2025, o banco fez uma cessão de créditos avaliada em R$ 660 milhões para o fundo FIDC EXP 1, o que gerou uma disputa judicial devido a questionamentos sobre a qualidade dos ativos envolvidos e a documentação necessária para comprovar os créditos.

Além disso, investigações revelaram uma exposição de cerca de R$ 600 milhões do Banco Digimais a carteiras de crédito vinculadas ao Banco Master. Após a liquidação do Banco Master, esses ativos passaram a ser questionados em relação à sua qualidade, lastro e regularidade documental. A investigação também destacou uma tentativa de venda do Banco Digimais em janeiro de 2025 para Maurício Quadrado, ex-executivo do Banco Master, por meio do Bluebank, operação que foi vetada pelo Banco Central.

Meses depois, em abril de 2026, o BTG Pactual anunciou a assinatura de documentos visando a possível aquisição do controle do Banco Digimais. A negociação ocorre em um momento de dificuldades de liquidez enfrentadas pela instituição para cumprir com suas obrigações financeiras. A efetivação desse negócio está condicionada a aprovações regulatórias, incluindo as do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Recentemente, o Banco Digimais também enfrentou um rebaixamento de sua classificação pela agência Fitch Ratings, que citou incertezas sobre a situação financeira da instituição e retirou as avaliações de crédito devido à falta de informações suficientes para um acompanhamento adequado.