Todo fim de ano acontece o mesmo ritual. Fogos, abraços, promessas e aquela sensação coletiva de que agora vai. O calendário vira, o número muda, e a gente age como se o tempo tivesse apertado um botão mágico de reinício.
A filosofia já sabia disso muito antes de existir réveillon, champagne e roupa branca. Heráclito dizia que ninguém entra duas vezes no mesmo rio. O problema é que a gente entra, sim, nos mesmos hábitos, nas mesmas desculpas e nas mesmas escolhas, achando que só porque o rio é novo, a travessia vai ser diferente.
Janeiro chega cheio de energia, mas à medida que os meses passam, a motivação vai diminuindo. A verdade desconfortável é que não é falta de vontade que nos prende, é falta de honestidade consigo mesmo.
Ano novo não é milagre, é espelho. E espelho não serve para maquiar, serve para mostrar. Quando você diz “esse ano vai ser diferente”, a pergunta não é “o que você quer?”, mas “o que você está disposto a abandonar?”