Africanos se mobilizam contra a África do Sul na Copa do Mundo

O continente africano se une em apoio a uma campanha contra a seleção da África do Sul durante a Copa do Mundo, evidenciando questões de xenofobia e violência no país.
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Neste domingo (28), a África do Sul e o Canadá iniciam a fase de eliminação da Copa do Mundo. Apesar da tradição de união no futebol, diversas nações africanas se mobilizam para torcer contra a seleção Bafana Bafana, como é conhecida a equipe sul-africana. O sentimento de aversão à África do Sul se intensificou nas redes sociais, onde cidadãos de diferentes países expressaram suas razões para apoiar o fracasso da seleção.

A influenciadora congolesa Promess Kayirenzi, conhecida por sua atuação nas redes sociais, publicou um vídeo onde expõe os motivos que levam muitos africanos a torcer contra a África do Sul. Em sua fala, Kayirenzi ressaltou que o país possui um histórico de xenofobia violenta e que moçambicanos são frequentemente as maiores vítimas dessa situação. "A África do Sul é um país xenofóbico, onde a violência contra africanos, especialmente aqueles de Moçambique, é recorrente", afirmou a influenciadora.

Ela destacou que, apesar de ser uma nação predominantemente negra, a África do Sul discrimina seus próprios compatriotas. "Os brancos podem viver lá normalmente, enquanto os negros enfrentam barreiras e hostilidade. Existem áreas que não aceitam negros", acrescentou, enfatizando a contradição da realidade social sul-africana. Kayirenzi finalizou sua declaração afirmando que, se o mundo se alinha a favor da África do Sul, muitos africanos se sentirão obrigados a estar do lado oposto.

A repercussão da mensagem de Kayirenzi foi significativa, recebendo apoio de brasileiros que se mostraram solidários à causa. Quando questionada se a África do Sul poderia ser vista como a Argentina do continente africano, a influenciadora acenou positivamente, indicando a comparação entre as duas nações em termos de rivalidade.

A imprensa africana tem reportado amplamente os conflitos enfrentados por imigrantes na África do Sul, especialmente os moçambicanos. Recentemente, o governo de Moçambique revelou que sete cidadãos foram mortos no país em ataques xenofóbicos na Baía de Mossel, com cerca de 800 pessoas se tornando vítimas de violência e destruição de propriedades.

Esses episódios de violência não são novos. Em maio de 2008, a África do Sul foi palco de uma onda de ataques que resultou em várias mortes e destruição em Joanesburgo, com estrangeiros sendo queimados vivos e lojas saqueadas. Naquela ocasião, mais de 200 pessoas foram presas devido aos tumultos.