A nova relação da geração atual com o consumo e o luxo

A percepção sobre o consumo de bens de consumo, como tênis, mudou entre os jovens, que agora priorizam experiências ao invés de acumular patrimônio.
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Nos anos de juventude de nossos pais, os sonhos eram bem distintos, envolvendo a compra de uma casa, a aquisição de um carro e a formação de uma família. Para as gerações atuais, como os millennials e a geração Z, tais aspirações ainda existem, mas foram adiadas para um futuro incerto.

Atualmente, a maneira como se consome reflete essa mudança. Os preços de produtos das grandes redes de varejo têm aumentado, enquanto os salários não acompanham essa elevação na mesma proporção. Um tênis, dependendo da marca, modelo e da narrativa que o cerca, pode representar uma parte considerável do orçamento de uma pessoa. Quando um bem que antes era considerado básico exige planejamento financeiro, fica evidente que a relação com o consumo se transformou.

Historicamente, sempre houve produtos de alto valor, mas o que se observa agora é uma percepção crescente de que o acesso a itens mesmo populares se torna mais difícil. O trabalho, que deveria garantir a acumulação de patrimônio, já não proporciona a mesma capacidade de compra. O sonho da casa própria parece mais distante, e a aquisição de um carro não é mais uma decisão simples para muitos.

Além disso, certos bens de consumo, que antes eram vistos como pequenas recompensas do dia a dia, começam a ser considerados inacessíveis. A intensa divulgação e ostentação de produtos nas redes sociais intensificam sentimentos de comparação entre os indivíduos.

Diante da dificuldade de alcançar bens materiais, a geração atual começa a atribuir valor a novas experiências. O luxo, para esses jovens, pode ser definido como a oportunidade de tomar um café em um local agradável, realizar uma viagem, mesmo que breve, ou investir em produtos de cuidados pessoais. O tempo livre, conhecer um novo restaurante ou adquirir uma peça de moda autoral também passam a ser considerados luxos.

Portanto, não se trata apenas de uma recusa em acumular bens, mas de uma mudança no desejo, onde os símbolos tradicionais de estabilidade se tornaram mais difíceis de alcançar, levando a uma nova forma de valorizar experiências e momentos.