Trabalhadores podem denunciar casos ao Ministério Público do Trabalho. –
O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) continua recebendo denúncias de assédio eleitoral mesmo após o encerramento das eleições. Trabalhadores que sofreram ou presenciaram ameaças, intimidações, constrangimentos ou outras formas de pressão relacionadas ao voto e à preferência política podem procurar o órgão, inclusive quando as situações ocorrem após a divulgação dos resultados.
Até segunda-feira (26), o MPT-MS havia contabilizado 35 denúncias no estado, contra 11 registradas até o primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Em todo o Brasil, o Ministério Público do Trabalho recebeu 1.937 denúncias de assédio eleitoral relacionadas às eleições de 2026.
As ocorrências incluem ameaças de demissão, recusa de contratação e outras represálias motivadas pela escolha política dos trabalhadores. As práticas também podem ocorrer em ambientes digitais, por meio de mensagens, publicações nas redes sociais e outros canais de comunicação.
Um vídeo que circula nas redes sociais também chama a atenção para possíveis casos de discriminação política no trabalho. Na gravação, uma pessoa afirma ter demitido uma funcionária após descobrir que ela apoiava o PT, mesmo depois de três anos de trabalho. A situação pode caracterizar dispensa discriminatória por opinião política, conduta que pode gerar consequências jurídicas. Casos semelhantes podem ser denunciados às autoridades competentes.
VÍDEO
Vídeo foi divulgado pela advogada Kimberlly Brito Bratifich. | Autor: Reprodução/Redes sociais.
Voto é livre e secreto
O voto é um direito individual, livre e secreto. Nenhum trabalhador é obrigado a revelar em quem votou, nem pode ser ameaçado, constrangido ou sofrer represálias por sua preferência política.
A Constituição Federal protege a liberdade de consciência e de convicção, enquanto a legislação trabalhista proíbe práticas discriminatórias nas relações de trabalho. Por isso, pressões para influenciar o voto ou punições motivadas pela escolha política podem caracterizar assédio eleitoral.
Segundo a procuradora-chefe do MPT-MS, Cândice Arosio, o encerramento das eleições não impede o registro de denúncias. O canal on-line da instituição permanece disponível para receber relatos, inclusive após o período eleitoral.
Como denunciar
As denúncias podem ser feitas em qualquer região do Brasil, mesmo após o fim das eleições. Um dos canais disponíveis é o site do Ministério Público do Trabalho. Também é possível utilizar o aplicativo MPT Pardal ou as plataformas regionais do órgão.
Outra opção é o Tribunal Superior do Trabalho (TST), por meio da campanha (No Meu Voto Mando Eu) ou pelo telefone 0800 644 3444. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também recebe relatos pelo portal oficial (https://www.tse.jus.br/) e pelos telefones 0800 648 0005 e (61) 3030-8700.
Já o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) disponibiliza o sistema de denúncias da Inspeção do Trabalho e o Disque 158.
Podem ser denunciadas situações como ameaças de demissão, pressão para votar em determinado candidato, constrangimentos e represálias motivadas pela preferência política. Sempre que possível, é importante reunir provas, como mensagens, áudios, vídeos e informações de testemunhas. O denunciante deve consultar as orientações de cada canal sobre sigilo e identificação.
Resumo
Denúncias aumentam: Mato Grosso do Sul registra 35 denúncias de assédio eleitoral após as eleições, contra 11 até o primeiro turno. Em todo o país, o MPT recebeu 1.937 registros relacionados às eleições de 2026.
Pressão política no trabalho: Ameaças de demissão, intimidações e represálias por preferência política podem configurar assédio eleitoral e gerar consequências legais, inclusive após o fim das eleições.
Canais seguem abertos: Trabalhadores podem denunciar casos ao Ministério Público do Trabalho (MPT), ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Com informações das Assessorias.
Fonte:A Rede PG