Flávio e Lula concordam em logística, mas divergem no crédito –
Os programas de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) incorporam demandas centrais do agronegócio, como ampliação do seguro rural, investimentos em infraestrutura e redução da dependência brasileira de fertilizantes importados. As propostas, porém, seguem caminhos diferentes para enfrentar os problemas de financiamento, endividamento e apoio à produção.
A comparação dos programas apresentados à Justiça Eleitoral mostra que os candidatos reconhecem parte dos principais gargalos do setor, mas nem todas as propostas vêm acompanhadas de metas, orçamento ou prazos de execução. A diferença está tanto nos instrumentos escolhidos quanto no grau de detalhamento das medidas.
As informações são da CNN Brasil.
ONDE CONVERGEM
A ampliação do seguro rural é um dos pontos em comum. Os dois candidatos prometem fortalecer a proteção financeira dos produtores diante de perdas na atividade agropecuária, especialmente em um cenário de maior exposição a eventos climáticos. Lula prevê fortalecer a política de seguro, ampliar o acesso dos agricultores familiares e discutir mecanismos para enfrentar perdas catastróficas. Flávio propõe ampliar a cobertura como parte de uma agenda de previsibilidade financeira para o produtor. Nenhum dos dois programas, entretanto, define o orçamento destinado à política ou estabelece metas de expansão da área segurada.
A infraestrutura também aparece nos dois planos, com propostas para melhorar o transporte da produção, ampliar a armazenagem e investir em irrigação. Lula prevê dar continuidade ao Novo PAC, ampliar concessões e integrar diferentes modais de transporte. Flávio propõe investimentos em corredores logísticos e maior participação da iniciativa privada, além de estabelecer uma meta geral de R$ 900 bilhões para infraestrutura de transportes em quatro anos. O programa não discrimina quanto desse valor seria destinado especificamente ao agronegócio.
Outro ponto de convergência é a redução da dependência externa de fertilizantes. Lula aposta na retomada da produção industrial, com participação da Petrobras, e no incentivo aos bioinsumos. Flávio prioriza o aproveitamento de reservas minerais brasileiras, como potássio e fosfato, e a expansão da infraestrutura de gás natural para estimular a fabricação de fertilizantes nitrogenados.
DIFERENÇAS
No financiamento rural, Flávio destaca a reorganização das dívidas rurais por meio de instrumentos de securitização. A proposta busca dar mais previsibilidade financeira ao produtor, mas o programa não especifica quais dívidas seriam contempladas, as condições de pagamento ou a participação de recursos públicos. Lula, por sua vez, propõe reformular o Plano Safra para um modelo plurianual, simplificar o acesso ao crédito e diversificar as fontes de recursos, incluindo o mercado de capitais e os títulos do agronegócio.
A diferença é relevante porque o crédito para financiar a produção e a renegociação de compromissos já assumidos são problemas distintos. Enquanto a proposta de Lula enfatiza a estrutura de financiamento, a de Flávio inclui uma medida expressa para reorganizar o endividamento. O programa petista não apresenta uma proposta específica de renegociação das dívidas rurais para o próximo mandato.
AGRICULTURA FAMILIAR
A agricultura familiar ocupa espaço explícito no programa de Lula, que prevê ampliar o Pronaf, fortalecer a assistência técnica e expandir as compras públicas de alimentos. O plano também estabelece medidas de apoio à mecanização, ao seguro rural e à produção de alimentos da cesta básica.
No programa de Flávio, o combate ao custo elevado dos alimentos está mais associado à melhoria da logística e ao aumento da capacidade de armazenagem. O candidato também propõe ampliar a regularização e a titulação de pequenas propriedades, com o objetivo de facilitar o acesso ao crédito e dar segurança jurídica aos produtores. O documento do PL não prevê medidas específicas de ampliação do Pronaf ou das compras públicas da agricultura familiar. A diferença aparece, portanto, na forma de apoiar os pequenos produtores: Lula apresenta uma agenda que combina financiamento, comercialização e políticas de segurança alimentar; Flávio enfatiza a regularização fundiária e os custos de produção e distribuição.
TECNOLOGIA E COMÉRCIO EXTERIOR
Na ciência agropecuária, Lula propõe fortalecer a Embrapa, investir em biotecnologia, edição genômica e agricultura de precisão. O programa de Flávio defende pesquisa e desenvolvimento, mas apresenta menos detalhamento sobre medidas específicas para a inovação agropecuária.
No comércio exterior, os dois buscam ampliar a presença brasileira nos mercados internacionais. Flávio prioriza a atração de investimentos e a defesa dos interesses econômicos nacionais. Lula enfatiza a diversificação de parceiros e a diplomacia comercial. As propostas se inserem em um cenário de barreiras comerciais, disputas geopolíticas e necessidade de manter o acesso aos principais compradores do agronegócio.
SUSTENTABILIDADE E BIOCOMBUSTÍVEIS
Na agenda ambiental e energética, Lula e Flávio Bolsonaro defendem ampliar a produção e o uso de biocombustíveis, incluindo etanol, biodiesel, biogás e combustível sustentável de aviação (SAF). Lula propõe fortalecer o RenovaBio, ampliar o uso de matérias-primas agrícolas para a produção de energia e manter instrumentos de financiamento climático. O programa também estabelece a meta de desmatamento líquido zero até 2030 e reafirma o compromisso brasileiro de reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa entre 59% e 67% atinge 2035, em relação a 2005.
Flávio, por sua vez, propõe ampliar o alcance do RenovaBio, facilitar o financiamento de projetos que transformem resíduos em energia e estimular a venda de créditos de carbono brasileiros no exterior. Na área florestal, estabelece a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2029 e prevê remunerar produtores pela conservação ambiental. A principal diferença está no detalhamento dos compromissos climáticos: o programa de Flávio não apresenta uma meta nacional quantificada de redução de emissões, enquanto o de Lula reafirma objetivos climáticos e instrumentos de financiamento para alcançá-los.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
– Pontos de convergência: Ambos os candidatos defendem a expansão do seguro rural, melhorias na logística/armazenagem e o estímulo à produção nacional de fertilizantes para reduzir a dependência externa.
– Divergências no financiamento: Enquanto Lula propõe a reformulação do Plano Safra e foco na agricultura familiar (Pronaf), Flávio prioriza a securitização de dívidas rurais e a regularização fundiária.
– Agenda ambiental e inovação: As duas candidaturas apoiam o RenovaBio e biocombustíveis, mas Lula detalha metas quantificadas de redução de emissões de carbono e fortalecimento da Embrapa, enquanto Flávio estabelece meta de zerar o desmatamento ilegal até 2029.
Fonte:A Rede PG