Chilli Beans –
A Chilli Beans tem até 26 de outubro de 2026 para negociar uma dívida de aproximadamente R$ 89 milhões e evitar que os credores retomem as medidas de cobrança antecipada. O prazo foi definido durante uma assembleia realizada em 2 de outubro, que suspendeu temporariamente os efeitos do vencimento antecipado da operação financeira.
A decisão concedeu um novo período para que a empresa busque um acordo com os credores. No entanto, a suspensão não significa perdão da dívida nem garante que as partes chegarão a um entendimento. Caso as negociações não avancem, os financiadores poderão voltar a exigir o pagamento imediato do saldo devedor.
A situação aumenta a pressão financeira sobre a rede de óculos e acessórios fundada por Caito Maia, que também mantém conversas com bancos para reorganizar as contas. Apesar das dificuldades, a companhia afirma que trabalha para melhorar os resultados comerciais e preservar o crescimento da operação.
Atrasos em parcelas provocaram cobrança antecipada
A situação financeira se agravou após o não pagamento de parcelas referentes a julho e agosto, que totalizavam R$ 16,5 milhões. Os investidores haviam estabelecido 25 de setembro como prazo para a quitação dos valores, mas o pagamento não foi realizado dentro do período previsto.
Em 30 de setembro, a Vert Companhia Securitizadora declarou o vencimento antecipado da dívida. Com isso, passou a ser possível exigir o pagamento imediato de aproximadamente R$ 89 milhões, sem aguardar as datas originalmente estabelecidas no contrato.
Dois dias depois, uma nova assembleia suspendeu temporariamente os efeitos da decisão e definiu 26 de outubro como prazo para a conclusão das negociações.
A operação financeira teve origem em uma captação de R$ 100 milhões, estruturada em fevereiro de 2025 e vinculada à Mustang 25 Participações, holding controladora da Chilli Beans. O vencimento original estava previsto para janeiro de 2029, com remuneração equivalente ao CDI mais 3,9% ao ano. Caito Maia figura como avalista do compromisso.
Endividamento inclui negociações com instituições bancárias
A dívida de R$ 89 milhões integra um quadro financeiro mais amplo. Documentos relacionados à operação de crédito indicam que o endividamento bruto da companhia passou de R$ 216 milhões, em 2023, para R$ 290 milhões, em 2024, conforme informações divulgadas pelo Times Brasil.
Estimativas de mercado também apontaram uma dívida total próxima de R$ 600 milhões ao fim de 2025. Esse montante, contudo, não foi apresentado como um dado financeiro auditado pela empresa.
Além das conversas com os credores da operação, a Chilli Beans negocia condições mais favoráveis com instituições bancárias. A estratégia prevê ampliar os prazos de pagamento e reduzir os juros, com o objetivo de diminuir a pressão sobre o caixa.
Em setembro, após notícias sobre uma possível recuperação judicial, a companhia negou que estivesse discutindo a abertura desse tipo de processo. Na ocasião, classificou as negociações com os bancos como amigáveis e em estágio avançado.
Até o momento, o cenário é de tentativas de reorganização financeira, sem confirmação de um pedido de recuperação judicial. O andamento das conversas com os credores deverá influenciar os próximos passos da empresa.
Empresa promove mudanças na gestão e nas franquias
Em meio ao processo de reorganização, a Chilli Beans também realizou mudanças na administração. André Dela Togna assumiu a vice-presidência em 1º de outubro para auxiliar Caito Maia na condução das operações e na reestruturação do negócio.
O executivo tem experiência em turnaround, termo utilizado para definir medidas de recuperação e reorganização de empresas que enfrentam dificuldades financeiras ou operacionais.
A mudança ocorre durante os esforços para preservar os resultados comerciais e aprimorar a gestão da rede de franquias. A companhia também tem transferido unidades entre operadores, como parte da estratégia para reorganizar as atividades e impulsionar as vendas.
Entre os resultados divulgados pela empresa estão o aumento de 32% nas vendas de uma operação em Sergipe e Alagoas, após a ampliação da rede administrada por uma franqueada, e o crescimento de 12% em um grupo de 32 lojas em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.
Em Goiânia e Aparecida de Goiânia, quatro unidades assumidas por um franqueado registraram alta de 18%, segundo os números apresentados pela companhia.
Em setembro, a Chilli Beans também informou que projetava crescimento de 10% em 2026. Para alcançar a meta, a empresa aposta em ações comerciais e lançamentos de produtos para sustentar as vendas, inclusive no período de fim de ano.
Negociação até outubro pode definir próximos passos
O prazo de 26 de outubro é considerado uma etapa importante para a reestruturação financeira da Chilli Beans. Até essa data, a empresa precisa buscar um acordo com os credores da operação de R$ 89 milhões e avançar nas negociações com os bancos.
Um eventual entendimento poderá estabelecer novas condições de pagamento e reorganizar os vencimentos. Caso não haja acordo, a suspensão temporária poderá perder efeito, permitindo que os financiadores retomem a cobrança antecipada da dívida.
O fim do prazo, por si só, não determina a entrada da empresa em recuperação judicial. Essa possibilidade dependerá do resultado das negociações e das decisões tomadas pela companhia e pelos credores.
Enquanto busca uma solução para as dívidas, a Chilli Beans precisa conciliar o cumprimento das obrigações financeiras com as mudanças na gestão e o desempenho das franquias. O desafio é manter as operações enquanto procura reduzir o impacto do endividamento sobre as contas da empresa.
Confira um resumo da notícia:
– Prazo para negociar dívida: A Chilli Beans tem até 26 de outubro para negociar uma dívida de aproximadamente R$ 89 milhões com credores. A cobrança antecipada está suspensa temporariamente, mas poderá ser retomada se não houver acordo.
– Dificuldades financeiras: A crise se agravou após o atraso de R$ 16,5 milhões em parcelas referentes a julho e agosto. A empresa também negocia com bancos para ampliar prazos de pagamento e reduzir juros, mas nega discutir recuperação judicial.
– Mudanças na gestão: A companhia nomeou André Dela Togna como vice-presidente para auxiliar na reorganização do negócio. A estratégia inclui mudanças na gestão das franquias e ações comerciais para melhorar os resultados, com projeção de crescimento de 10% em 2026.
Fonte:A Rede PG