Em uma eleição caracterizada por uma acirrada disputa por cada voto, um fenômeno intrigante ocorreu: diversos candidatos terminaram a votação com zero votos. No Brasil, onde o voto é secreto e obrigatório para a maior parte da população, essa situação é um indicativo de que nem mesmo os candidatos pressionaram a tecla ‘confirma’ para contabilizar sua própria escolha no dia da eleição.
A ausência total de votos pode ser atribuída a diversos fatores. Entre os motivos mais recorrentes estão a renúncia informal, quando o candidato decide por conta própria não concorrer, ou decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que não permitem a troca de candidatos a tempo. Essa combinação de circunstâncias resulta em candidatos que, por diferentes razões, não conseguem registrar nem mesmo seu próprio voto.
Vários estados brasileiros apresentaram casos de candidatos ao cargo de Deputado Estadual que não lograram êxito nas urnas. No Acre, por exemplo, Dr. Pedro Benevides, do PRD, e Renilda Rocha, do Solidariedade, encerraram o dia eleitoral sem nenhum voto. Já Em Goiás, o candidato Raimundo Aguiar, do Democracia Cristã, também não conseguiu votos, assim como Luiz Damião, no Pará, e Chagas Enfermeiro, em Roraima, ambos do mesmo partido.
Em Pernambuco, o partido Mobiliza registrou dois candidatos com votação zerada para Deputado Estadual: Luis Augusto e Mouracia. A falta de votos não necessariamente reflete a ausência de apoio popular ou familiar no dia da votação. Quando um candidato tem seu registro cassado ou indeferido pela Justiça Eleitoral e não consegue reverter a decisão, os votos que poderiam ter sido contabilizados a seu favor podem ser anulados.
A abstenção também se destacou nas eleições de 2026, alcançando o maior índice em 28 anos, o que pode ter contribuído para esses resultados inusitados. Além disso, existem candidaturas que são apresentadas apenas para cumprir formalidades burocráticas, sem a intenção real de disputar ou assumir o cargo, ou que são descontinuadas pelos próprios partidos.
Essas circunstâncias ilustram como, em algumas situações, até mesmo o próprio candidato decide não comparecer às urnas, resultando em um dado curioso na apuração eleitoral. Os números refletem um aspecto intrigante do sistema eleitoral brasileiro, que, apesar de sua complexidade, ainda surpreende com essas estatísticas inusitadas.