Empresas falham na adoção da inteligência artificial ao ignorar quem realmente opera a tecnologia, alerta especialista

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Pesquisa mostra que quase um terço dos profissionais resiste às estratégias de IA; para CEO da StaryaAI, desafio está menos na tecnologia e mais na gestão da mudança 

A adoção da inteligência artificial (IA) nas empresas enfrenta um obstáculo que vai além da tecnologia. O estudo “Enterprise AI Adoption in 2026: Why 79% Face Challenges Despite High Investment”, realizado pela WRITER em parceria com a Workplace Intelligence, ouviu 2.400 profissionais entre executivos e colaboradores de empresas dos Estados Unidos, do Reino Unido, da França, da Alemanha e da Austrália, e revelou que 29% dos funcionários admitem sabotar ativamente a estratégia de IA da organização onde trabalham. Entre os profissionais da Geração Z, esse percentual chega a 44%, indicando que a resistência à inteligência artificial está diretamente relacionada à forma como as empresas conduzem a transformação digital e envolvem seus colaboradores no processo de mudança.

Embora muitas organizações acelerem investimentos em inteligência artificial, automação e agentes de IA, especialistas apontam que o principal fator de insucesso continua sendo a ausência de uma estratégia consistente de gestão da mudança. Em muitos casos, projetos-piloto apresentam bons resultados em ambientes controlados, com equipes dedicadas, dados organizados e escopo limitado. No entanto, quando essas soluções chegam à operação cotidiana, encontram processos complexos, sobrecarga de trabalho e profissionais que não participaram das decisões desde o início.

Segundo Fábio Tiepolo, CEO da StaryaAI, o erro mais comum ocorre antes mesmo da implementação da tecnologia. Para ele, muitas empresas concentram esforços na escolha das ferramentas, no orçamento e nos indicadores de desempenho, mas deixam de discutir quem utilizará a solução no dia a dia e como a inteligência artificial transformará a rotina dessas pessoas. “A resistência à inteligência artificial raramente nasce da tecnologia. Ela surge quando as pessoas que serão diretamente impactadas não participam da construção da mudança. Quando o colaborador conhece o projeto apenas no lançamento, a adoção já começa comprometida”, afirma.

O executivo ressalta que a adoção de IA deve ser tratada como um processo de transformação organizacional, e não apenas como uma iniciativa tecnológica. Isso significa revisar fluxos de trabalho, metas, indicadores de desempenho e incentivos antes da entrada das soluções em produção. “A pergunta sobre adoção precisa acontecer antes da decisão de implementação. É necessário identificar quem são os operadores reais da tecnologia, compreender suas rotinas e redesenhar processos para que a inteligência artificial seja percebida como um apoio ao trabalho, e não como uma imposição”, acrescenta.

O levantamento evidencia que a resistência à IA não pode ser interpretada apenas como um problema de recursos humanos ou de cultura organizacional. Em muitos casos, trata-se de uma consequência direta de decisões estratégicas tomadas sem envolver as equipes responsáveis pela execução das atividades. Esse desalinhamento reduz o potencial de retorno dos investimentos em inteligência artificial, compromete iniciativas de transformação digital e dificulta a obtenção dos ganhos esperados em produtividade, inovação e eficiência operacional.

À medida que a inteligência artificial se consolida como uma das principais prioridades da agenda de inovação das empresas, cresce também a necessidade de integrar tecnologia, pessoas e processos. Para especialistas, organizações que promovem diálogo, capacitação e participação dos colaboradores desde as etapas iniciais dos projetos tendem a alcançar níveis mais elevados de adoção e resultados mais sustentáveis.

“Não existe transformação digital bem-sucedida sem transformação humana. A inteligência artificial potencializa resultados, mas são as pessoas que determinam se essa tecnologia será incorporada à cultura da empresa ou permanecerá apenas como mais um projeto. O futuro do trabalho será construído por organizações que colocarem as equipes no centro dessa transformação”, conclui Fábio Tiepolo, CEO da StaryaAI.