Embora qualquer movimento corporal seja benéfico, alguns tipos de exercício podem contribuir mais para aumentar o gasto energético do organismo e favorecer um metabolismo mais ativo. Isso não significa que exista um exercício capaz de “acelerar” o metabolismo de maneira ilimitada. O gasto energético de cada pessoa depende de diversos fatores, como quantidade de massa muscular, tamanho corporal, idade, sexo, nível de atividade física e a maneira como o organismo digere e utiliza os alimentos. Entre as estratégias de exercício que podem influenciar esse processo, o treinamento de força ocupa um papel especialmente importante porque ajuda a desenvolver e preservar a massa muscular.
Para entender como os exercícios podem influenciar o metabolismo, primeiro é preciso compreender o que esse termo significa. Metabolismo é o conjunto de processos pelos quais o organismo transforma os nutrientes dos alimentos em energia e utiliza essa energia para manter suas funções. Uma das medidas mais importantes é a taxa metabólica basal, que corresponde à quantidade de energia utilizada pelo corpo em repouso para sustentar funções essenciais, como respiração, circulação, manutenção da temperatura corporal e reparação das células. Essa taxa varia de uma pessoa para outra e é influenciada principalmente pelo tamanho e pela composição corporal, pela idade, pelo sexo e por outros aspectos fisiológicos.
O exercício pode influenciar o metabolismo, especialmente quando estimula o aumento ou a manutenção da massa muscular. O treinamento resistido, como a musculação, o levantamento de pesos e os exercícios realizados com o próprio peso corporal, pode aumentar a taxa metabólica basal. A combinação de exercícios de resistência muscular com atividades de endurance, como corrida, ciclismo ou remo, também pode produzir adaptações metabólicas importantes, embora o treinamento de força tenha uma vantagem particular quando o objetivo é preservar ou aumentar a massa muscular.
A musculatura é metabolicamente ativa mesmo quando estamos em repouso. Isso significa que uma pessoa com mais massa muscular tende a gastar mais energia para manter seu organismo funcionando do que gastaria com uma quantidade menor de músculo. A diferença, porém, não é tão grande quanto algumas promessas sobre “acelerar o metabolismo” podem sugerir. O principal benefício metabólico de ganhar músculo está na combinação entre um pequeno aumento do gasto energético de repouso e a maior capacidade de realizar atividades físicas, além da preservação da massa magra durante períodos de perda de peso.
O próprio treinamento de força também aumenta o gasto energético durante a sessão e durante o período de recuperação. Depois de um treino intenso, o organismo precisa utilizar energia para reparar tecidos, restaurar reservas energéticas e se adaptar ao estímulo recebido. Esse aumento temporário do gasto energético é real, mas não significa que o corpo continuará queimando grandes quantidades de gordura durante 24 ou 48 horas. O efeito existe, mas costuma ser muito menor do que o gasto produzido pelo próprio exercício e pelos benefícios acumulados de um programa consistente.
Por isso, escolher adequadamente os exercícios e fornecer ao organismo energia e nutrientes suficientes para sustentar a atividade muscular são componentes importantes de uma estratégia voltada para melhorar a composição corporal e manter um metabolismo saudável.
Uma das formas mais importantes de estimular o metabolismo por meio do exercício é o treinamento de força, que pode ser realizado com pesos, aparelhos, faixas elásticas ou utilizando o próprio peso corporal. Essa modalidade se torna particularmente importante à medida que envelhecemos. A perda de massa muscular relacionada à idade é um dos fatores associados à redução do gasto energético ao longo dos anos.
A partir dos 30 anos, níveis reduzidos de atividade física podem contribuir para a perda gradual de massa magra, incluindo tecido muscular. Algumas estimativas citadas no texto original apontam para uma perda média de aproximadamente 2,3 a 4,5 kg de massa magra por década, mas essa não é uma regra inevitável: a velocidade da perda varia bastante entre indivíduos e pode ser reduzida por meio de treinamento de força, atividade física e alimentação adequada.
Sem medidas para preservar a musculatura, a perda acumulada pode se tornar significativa com o avanço da idade. Uma redução de aproximadamente 25% da massa magra até os 65 anos é uma estimativa encontrada para determinadas populações e condições, mas não deve ser entendida como destino inevitável para todas as pessoas. Além da influência sobre o metabolismo, preservar músculos é importante para força, mobilidade, equilíbrio e independência física.
Uma rotina de treinamento de força de duas a três vezes por semana, com sessões de aproximadamente 45 minutos, pode proporcionar um estímulo suficiente para produzir adaptações importantes. Mesmo sessões mais curtas podem ser úteis quando o tempo é limitado. Para quem está começando, uma boa referência é utilizar cargas que representem um desafio moderado, mas que ainda permitam executar os movimentos corretamente, realizando séries de aproximadamente 10 a 15 repetições. À medida que o organismo se adapta, é possível aumentar gradualmente a carga, o número de repetições ou a dificuldade do exercício. Essa progressão é fundamental porque o corpo tende a se adaptar a um estímulo que permanece sempre igual.
Outra maneira de aumentar o gasto energético é o treinamento intervalado, que consiste em alternar períodos de atividade mais intensa com períodos de descanso ou atividade de menor intensidade. Exercícios como escaladores, agachamentos ou outros movimentos realizados em ritmo elevado podem ser organizados dessa maneira. O treinamento intervalado permite acumular períodos de esforço relativamente intenso sem precisar manter a mesma intensidade durante toda a sessão.
Além de aumentar o gasto energético durante o exercício, o treinamento intervalado pode elevar temporariamente o consumo de oxigênio e o gasto energético durante a recuperação. Esse fenômeno é conhecido como efeito afterburn ou EPOC, sigla para excesso de consumo de oxigênio pós-exercício. Embora seja fisiologicamente real, ele não deve ser interpretado como uma grande “queima metabólica” que permanece durante todo o dia. Sua contribuição existe, mas normalmente é modesta em comparação com o gasto total provocado pela atividade física.
O treinamento intervalado também pode complementar um programa baseado principalmente em exercícios de força. Intervalos realizados em intensidade moderada permitem maior atenção à técnica e podem ser utilizados com mais frequência do que sessões realizadas em intensidade máxima. Dessa forma, nem todo treinamento intervalado precisa ser extremamente exaustivo para ser útil.
O HIIT, sigla em inglês para treinamento intervalado de alta intensidade, é uma forma específica de treinamento intervalado. Nesse método, períodos de esforço muito intenso são alternados com períodos de recuperação ativa, nos quais a pessoa continua se movimentando em intensidade menor. Caminhar, marchar no lugar ou realizar movimentos leves são exemplos de recuperação ativa.
O HIIT pode ser uma opção eficiente para quem dispõe de pouco tempo, porque permite concentrar bastante esforço em sessões relativamente curtas. Uma sessão intensa também pode aumentar temporariamente o gasto energético durante a recuperação. No entanto, sua principal vantagem não é simplesmente o efeito afterburn: o HIIT também permite realizar estímulos cardiovasculares intensos em pouco tempo, podendo melhorar o condicionamento cardiorrespiratório.
Por ser uma modalidade exigente, o HIIT não precisa ser realizado todos os dias. O organismo necessita de tempo para se recuperar entre sessões intensas. Para quem está começando, uma sessão de aproximadamente 20 minutos por semana pode ser adicionada ao treinamento de força. Pessoas mais experientes podem eventualmente realizar duas sessões semanais, desde que estejam recuperando-se adequadamente.
É importante observar sinais de fadiga acumulada. Cansaço persistente, queda na qualidade do sono, redução do desempenho nos exercícios ou falta de disposição podem indicar que o volume ou a intensidade do treinamento está ultrapassando a capacidade de recuperação. Nesses casos, reduzir uma sessão de HIIT e priorizar sono, alimentação e recuperação pode ser mais produtivo do que simplesmente aumentar a quantidade de exercícios.
Outras formas de exercício cardiovascular também podem contribuir para aumentar o gasto energético. Corrida, ciclismo e remo realizados em intensidade elevada podem produzir um efeito afterburn, fazendo com que o organismo continue utilizando um pouco mais de energia durante o período de recuperação. Uma estratégia possível é realizar sessões de aproximadamente 20 a 25 minutos, alternando períodos de maior e menor velocidade ou intensidade. A frequência semanal, entretanto, deve ser ajustada ao restante da rotina de treinamento, pois quatro ou cinco sessões intensas por semana podem representar uma carga considerável para algumas pessoas.
Para produzir um efeito afterburn mais perceptível, a intensidade precisa ser relativamente alta. Uma referência utilizada é trabalhar entre aproximadamente 70% e 85% da frequência cardíaca máxima. Essa faixa pode servir como orientação geral, mas a frequência cardíaca máxima varia entre indivíduos e fórmulas utilizadas para estimá-la são apenas aproximações. Além disso, a frequência cardíaca não deve ser usada isoladamente para determinar a intensidade do treinamento.
Os efeitos do exercício cardiovascular sobre o metabolismo também não são equivalentes aos benefícios proporcionados pelo treinamento de força. O cardio é excelente para aumentar o gasto energético e melhorar o condicionamento, mas uma quantidade excessiva de exercício cardiovascular combinada com pouca ingestão energética e pouco treinamento de força pode dificultar a manutenção da massa muscular. Isso é particularmente relevante durante uma dieta para perda de gordura. Como a massa muscular contribui para o gasto energético de repouso, preservar músculos ajuda a evitar parte da redução do gasto energético que pode acompanhar o emagrecimento.
Antes de tentar atingir uma determinada frequência cardíaca durante exercícios intensos, especialmente pessoas que possuem doenças cardiovasculares, sintomas ou fatores de risco importantes, devem conversar com um profissional de saúde e avaliar a segurança desse tipo de esforço.
Outra possibilidade é o cardio em jejum, realizado quando o sistema digestivo está sem alimentos por várias horas. Normalmente, isso significa treinar aproximadamente seis a oito horas depois de uma refeição ou lanche e, em muitos casos, realizar o exercício pela manhã, antes do café da manhã.
Durante o exercício em jejum, o organismo pode utilizar uma proporção maior de gordura como combustível em determinadas condições, em comparação com o exercício realizado depois de uma refeição. Esse fato, porém, precisa ser interpretado corretamente: utilizar mais gordura durante uma sessão específica não significa necessariamente perder mais gordura corporal ao longo das semanas. A perda de gordura corporal depende principalmente do balanço energético acumulado ao longo do tempo.
Algumas pessoas também se sentem bem treinando em jejum, enquanto outras apresentam queda de energia ou desempenho. Portanto, o cardio em jejum não é obrigatório para emagrecer e não oferece uma vantagem universal. Se uma pessoa consegue treinar melhor depois de fazer uma refeição, não há necessidade de evitar os alimentos apenas para tentar aumentar a utilização de gordura durante aquela sessão.
Quando utilizado, o cardio em jejum pode ser limitado a aproximadamente 30 a 40 minutos por sessão e realizado em até dois dias não consecutivos por semana. Essa estratégia, entretanto, não é adequada para todas as pessoas. Indivíduos suscetíveis à hipoglicemia, ou seja, à queda excessiva da glicose no sangue, não devem realizar exercícios em jejum sem orientação adequada. Tontura, fraqueza, tremores e mal-estar são sinais para interromper a atividade e avaliar a situação.
Também é importante evitar uma redução excessiva da ingestão alimentar. Quando a disponibilidade de energia permanece muito baixa durante períodos prolongados, o organismo pode reduzir seu gasto energético como forma de adaptação. O metabolismo não simplesmente “desliga”, mas o corpo pode economizar energia reduzindo determinadas funções, movimentando-se menos espontaneamente e diminuindo o gasto energético necessário para sustentar o organismo. Uma restrição calórica exagerada combinada com muito exercício também pode prejudicar a recuperação e favorecer a perda de massa muscular.
Uma alimentação equilibrada é, portanto, fundamental para sustentar o treinamento e preservar a massa muscular. Uma dieta que forneça quantidades adequadas de proteínas, gorduras e carboidratos ajuda a fornecer energia e nutrientes necessários para o funcionamento do organismo. As proteínas são particularmente importantes para a manutenção e recuperação muscular, enquanto os carboidratos constituem uma fonte importante de energia para exercícios de maior intensidade. As gorduras também desempenham funções essenciais e não precisam ser eliminadas para promover a perda de gordura corporal.
Melhorar o gasto energético por meio do exercício depende principalmente de equilíbrio. É necessário estimular suficientemente o organismo para produzir adaptações, mas também proporcionar descanso e recuperação adequados. Treinar pouco pode produzir um estímulo insuficiente, enquanto treinar excessivamente sem permitir que o corpo se recupere pode provocar fadiga acumulada, queda de desempenho e dificuldade para manter a rotina.
Em vez de perseguir números arbitrários, como uma determinada frequência cardíaca, uma quantidade específica de calorias queimadas ou um valor fixo na balança, é mais útil observar o conjunto de respostas do organismo. Qualidade do sono, disposição, desempenho nos treinos, recuperação muscular, fome e evolução do peso e das medidas corporais podem ajudar a determinar se a estratégia está funcionando.
Para quem deseja aumentar o gasto energético, perder gordura e preservar a massa muscular, o treinamento de força deve ocupar um papel central. Exercícios cardiovasculares, treinamento intervalado e HIIT podem ser utilizados como complementos de acordo com o condicionamento e a capacidade de recuperação de cada pessoa. O cardio em jejum também pode ser uma opção para quem se adapta bem a ele, mas não é necessário para obter resultados. O objetivo não é simplesmente fazer o máximo possível de exercício, e sim encontrar uma combinação de treinamento, alimentação e recuperação que possa ser mantida de maneira consistente ao longo do tempo.
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Fonte:Paraná Jornal