Na fase final da campanha eleitoral, os candidatos têm intensificado esforços para conquistar o voto feminino, que representa uma fatia significativa do eleitorado. Estatísticas do TSE revelam que 53% dos eleitores são mulheres. Em uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, foi identificado que 26% das mulheres ainda não definiram em quem votar, enquanto entre os homens esse percentual é de 14%.
Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres No Brasil, destaca que a conscientização sobre a relevância do voto feminino aumentou consideravelmente. "Estamos falando de mais da metade do eleitorado. São elas que, ao final, podem decidir quem será eleito", afirma. A especialista ressalta que, além das promessas, é fundamental analisar a viabilidade das propostas apresentadas pelos candidatos. "Compromissos sem metas, orçamentos e prazos raramente se traduzem em POLÍTICAS públicas efetivas", complementa.
Em um documento recentemente divulgado pela ONU Mulheres, são abordados os desafios enfrentados pelas mulheres no acesso ao poder, renda e proteção social, além das desigualdades de gênero e raça que persistem No Brasil. O texto apresenta dez propostas direcionadas a candidatos, partidos e à sociedade em geral, visando promover um ambiente mais justo e igualitário.
Um dos principais ENTRAVES destacados para a implementação de POLÍTICAS voltadas às mulheres é a questão do financiamento. Palayret explica que não se trata apenas da disponibilidade de recursos, mas também da previsibilidade e execução efetiva desses fundos. Muitas vezes, os recursos são anunciados, mas sua utilização real permanece incerta.
O Brasil tem avançado ao incluir uma AGENDA para as mulheres no planejamento plurianual do governo federal, mas ainda há incertezas sobre quanto é efetivamente destinado e executado para POLÍTICAS que garantam igualdade de gêneros. Outro aspecto relevante é a propriedade da terra, onde apenas 30% das mulheres têm terra em seu nome, um dado que não deve ser negligenciado nas discussões eleitorais.
Palayret enfatiza que questões de gênero e raça devem estar integradas desde a formulação de POLÍTICAS climáticas, incluindo aspectos orçamentários e avaliações de resultados. Organizações lideradas por mulheres desempenham um papel crucial na proteção de territórios e na segurança alimentar, mas enfrentam barreiras históricas para acessar recursos.