A trajetória de Benjamin de Oliveira, considerado o primeiro palhaço negro do Brasil e um dos pioneiros do circo-teatro no país, será levada ao palco do Teatro José Maria Santos, em Curitiba. O espetáculo “Benjamin, O Rei Negro do Picadeiro” estreia na terça-feira, dia 30 de setembro e segue em cartaz até 11 de outubro, com sessões de quarta-feira a domingo e entrada gratuita.
Produzida pela Isidoro Diniz Produções e pela Cia. Nossa Senhora do Teatro Contemporâneo, a montagem reúne teatro, palhaçaria e elementos do circo para contar a história do artista mineiro, cuja trajetória atravessou o período posterior à abolição da escravidão e marcou a cultura brasileira.
O texto é assinado por Salloma Salomão e Victor Nóvoa. O ator paranaense Maicon Morais interpreta Benjamin em um espetáculo solo dirigido por Isidoro Diniz e Cesar Almeida.
Nascido em 1870, em Pará de Minas (MG), Benjamin era filho de um capitão do mato e de uma mulher escravizada. Embora tenha nascido alforriado, enfrentou diferentes formas de violência e exploração durante a infância e adolescência.
Aos 12 anos, fugiu com um circo que passava pela região e iniciou uma trajetória artística que o levou a atuar como acrobata, trapezista, músico, ator, diretor e palhaço.
A palhaçaria entrou em sua carreira por acaso. Benjamin precisou substituir o palhaço titular de uma companhia que estava doente. A experiência marcou uma nova etapa de sua vida e abriu caminho para que ele se tornasse uma das principais figuras do circo brasileiro de sua época.
Depois de passar por diferentes companhias, chegou ao Circo Caçamba e se apresentou no Rio de Janeiro. Uma das apresentações foi assistida pelo então presidente da República, marechal Floriano Peixoto, episódio que contribuiu para ampliar a visibilidade do artista.
Benjamin também escreveu e dirigiu peças que alcançaram repercussão no período, entre elas “O Diabo e o Chico”, “Vingança Operária”, “Matutos na Cidade” e “A Noiva do Sargento”. Como músico, apresentava lundus, chulas e modinhas ao violão.
Seu trabalho ajudou a consolidar o circo-teatro, formato que combinava números circenses com dramaturgia e que se tornou uma das manifestações populares importantes da cultura brasileira.
Apesar do reconhecimento conquistado durante a carreira, Benjamin morreu em 1954, aos 83 anos, no Rio de Janeiro, em dificuldades financeiras.
A montagem em Curitiba utiliza essa trajetória para estabelecer uma relação entre o Brasil do final do século XIX e início do século XX e questões presentes na sociedade contemporânea, especialmente o racismo e a valorização de artistas negros.
Durante o espetáculo, também são homenageados nomes como Grande Otelo, Tião Macalé e Mussum, além dos escritores Machado de Assis, Clóvis Moura e Carolina Maria de Jesus.
Para Cesar Almeida, a montagem combina a linguagem tradicional da palhaçaria com recursos do teatro contemporâneo. O ator e palhaço Mauro Zanatta participou da preparação de clown de Maicon Morais para a construção do personagem.
A produção também presta homenagem póstuma ao ator, diretor e produtor Maurício Vogue, que morreu em 2025.
Serviço
Benjamin, O Rei Negro do Picadeiro”
Local: Teatro José Maria Santos
Datas: De 30 de setembro a 11 de outubro de 2026.
Horários: De quarta a sexta-feira, às 20h; sábados, às 17h e às 20h; domingos, às 11h e às 18h.
Sessões exclusivas para escolas: 2, 7, 8 e 9 de outubro. Interessados devem fazer o agendamento pelo WhatsApp: (41) 99235-4389.
Ingressos: Entrada gratuita. Distribuição dos ingressos 30 minutos antes do início do espetáculo, na bilheteria do teatro.
Acessibilidade: Todas as sessões contarão com intérpretes de Libras.
Ficha técnica
Ator: Maicon Morais
Direção: Isidoro Diniz e Cesar Almeida
Dramaturgia e pesquisa: Salloma Salomão e Victor Nóvoa
Trilha sonora original: Cesar Almeida
Preparação de clown: Mauro Zanatta
Direção de arte e figurinos: Paula Villa Nova
Cenário: Guenia Lemos e Vilson Kurz
Iluminação: Lucas Amado
Operação de luz: Alefer Soares
Operação de som: Cesar Almeida
ID Visual e Mídias sociais: villanovart_
Fotos: Kraw Penas
Assessoria de imprensa: FC Comunicação
Produção: Bia Reiner
Coordenação: Carlos Roberto Barbosa
Realização: Cia. Nossa Senhora do Teatro Contemporâneo e Isidoro Diniz Produções
Intérprete de Libras: Elaine Moreira
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Fonte:Paraná Jornal