A série Habeas Corpus, que marca a estreia do primeiro drama jurídico brasileiro na Netflix, foi inspirada por uma organização empenhada em reverter condenações injustas. Para dar vida aos personagens que habitam esse ambiente, as atrizes Marjorie Estiano e Any Gabrielly se dedicaram a entender profundamente o vocabulário e a rotina da advocacia, além de terem interagido com integrantes do Innocence Project Brasil.
Em uma entrevista, Any Gabrielly compartilhou sua experiência de preparação para o papel. Ela revelou que já admirava a profissão de advogada e, em uma fase de sua vida, acreditou que poderia seguir essa carreira. “Foi uma surpresa enorme ter acesso a essas pessoas [do Innocence Project], porque o que eu imaginava, na minha cabeça, é que você é advogado, você é o máximo, usa terno… Mas é muito diferente e é muito complexo o sistema”, comentou.
Marjorie Estiano, que também participou da conversa, destacou que chegou ao projeto com uma ideia sobre justiça, mas sem um conhecimento aprofundado do funcionamento do sistema jurídico. Ela expressou sua gratidão pela oportunidade de trazer temas como política pública e cidadania para o entretenimento. “É um serviço que eu me orgulho muito, do qual eu me sirvo tanto quanto eu ofereço”, afirmou.
Na série, Marjorie Estiano interpreta Inês, uma respeitada professora de Direito e ex-advogada criminalista, enquanto Any Gabrielly dá vida a Marina, uma das alunas de Inês. O elenco de Habeas Corpus ainda conta com Nicolas Lee, Felipe Ricca, Pedro Souza, Luiza Gabus Mendes, Danton Mello, Vladimir Britcha, Natália Lage e Marisa Orth.
Marjorie, que nasceu em Curitiba, comentou sobre sua trajetória no mercado e a evolução de seus personagens. “Estar no mercado com 12, 13, 15 anos te traz isso, e agora eu tenho 23. Isso naturalmente me trouxe personagens que estão mais próximos de mim”, observou. Any, por sua vez, notou que a percepção do público sobre sua maturidade como atriz tem mudado, embora muitas pessoas ainda a associem a papéis de sua infância.
Durante a preparação para os papéis, as atrizes decidiram não assistir a outras séries jurídicas, buscando evitar influências externas. Marjorie enfatizou que o contato com a realidade foi fundamental para a construção de suas personagens. “A realidade é sempre muito mais inspiradora do que qualquer ficção”, concluiu, ressaltando que a ficção se alimenta da realidade, o que enriquece a criação artística.