Pai é condenado a mais de 23 anos de prisão pelo assassinato da filha

Após confessar o crime, Ricardo Seidi Shigematsu foi sentenciado a 23 anos, 6 meses e 22 dias de reclusão. O júri absolveu a avó da criança, que também respondia por acusações relacionadas ao caso.

O caso da morte de Eduarda Shigematsu, de 11 anos, teve um desfecho no Tribunal do Júri em Maringá, no Norte do Paraná, com a condenação do pai, Ricardo Seidi Shigematsu, a 23 anos, 6 meses e 22 dias de prisão. A sentença foi proferida após o réu confessar o assassinato durante o julgamento, que ocorreu na quinta-feira (17), após uma série de adiamentos.

Eduarda desapareceu em 24 de abril de 2019, em Rolândia, quando foi à escola e não voltou mais para casa. O corpo da menina foi encontrado quatro dias depois, em 28 de abril, enterrado nos fundos de uma casa da família, após uma denúncia anônima à Polícia Militar, às 14h30. A investigação revelou que a criança apresentava sinais de violência, com os pés e as mãos amarrados e uma corda no pescoço.

A análise da Polícia Científica concluiu que a causa da morte foi esganadura, contrariando a versão de Ricardo, que alegou ter encontrado a filha enforcada e decidido esconder o corpo. Durante o julgamento, ele foi condenado por homicídio consumado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica, com agravantes relacionados à violência de gênero e ao contexto doméstico.

Além da pena privativa de liberdade, a Justiça determinou que Ricardo pague R$ 90 mil em danos morais à mãe de Eduarda. A defesa do réu reconheceu a decisão do júri.

A avó de Eduarda, Terezinha de Jesus Guinaia, foi absolvida das acusações de ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Ela havia sido presa no dia seguinte ao desaparecimento da neta e ficou 57 dias detida antes de ser liberada para aguardar o julgamento. O Ministério Público alegou que Terezinha contribuiu para a morte da criança ao permitir que ela ficasse sob os cuidados do pai.

O processo contra a avó foi reaberto após uma decisão do Tribunal de Justiça do Paraná, que determinou que ela fosse julgada pelo Tribunal do Júri, embora já tivesse sido absolvida em fases anteriores do processo. O caso de Eduarda Shigematsu, que chocou a comunidade local, continua a ser um marco na discussão sobre violência doméstica e proteção de crianças.