Durante sua fala, Cármen Lúcia revelou estar "em estado de profunda consternação e tristeza". A ministra enfatizou que a situação atual provocou um "mal-estar cívico" entre os cidadãos brasileiros. "Estou nesta sessão, como talvez muitos de meus colegas, em estado de profunda consternação e tristeza. Um dos colegas me dizia se eu estava aborrecida com alguma coisa, mas eu disse que estava triste", explicou Cármen.
A ministra também criticou a forma como o caso foi exposto, mencionando uma "espetacularização" que, em sua visão, prejudicou o debate público em um momento crucial, próximo das eleições de 2026. "Poder Judiciário existe para tranquilizar o povo, e nós geramos intranquilidade, essa é a minha percepção. Inebriamos o sentimento de justiça da cidadania estes últimos dias", completou Cármen Lúcia.
No contexto do julgamento, André Mendonça é mencionado como suspeito de irregularidades na condução do caso Master. O pedido de investigação feito por Alexandre de Moraes, que teria autorizado a Polícia Federal (PF) a abrir um inquérito contra Mendonça, gerou controvérsias entre os ministros, visto que membros do STF gozam de foro privilegiado.
O julgamento enfrentou uma interrupção, onde Gilmar Mendes, Moraes e Cristiano Zanin manifestaram-se a favor da análise conjunta dos processos. Em contrapartida, os ministros Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia defendiam a tramitação separada dos casos. O pedido de Flávio Dino para mais tempo para análise dos processos deve levar cerca de 90 dias, adiando a definição do futuro de Moraes na Corte para após as eleições de outubro.
Atualmente, o placar está em 4 a 3 a favor da manutenção dos processos separados, sem uma decisão final sobre o assunto. As acusações de Moraes contra Mendonça estão agendadas para serem discutidas em plenário no dia 23 de setembro.