A importância do voto: sua ausência pode custar caro

A abstenção nas eleições não é uma escolha neutra. Ao ficar em casa, o eleitor entrega seu poder de decisão a outros. A diferença entre os candidatos é real e pode impactar diretamente a vida da população.
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A abstenção eleitoral é uma questão que merece reflexão. Aqueles que alegam estar acima do processo democrático, sustentando que todos os candidatos são iguais, na verdade, estão transferindo seu poder de decisão para aqueles que optam por votar. Essa atitude não anula a eleição, mas, ao contrário, aumenta o peso do voto dos que comparecem às urnas.

Existem algumas justificativas comuns que não se sustentam diante da análise. A primeira delas é a ideia de que todos os candidatos são iguais. Em 4 de outubro, o eleitor terá a oportunidade de escolher entre candidatos com propostas distintas em áreas como carga tributária, segurança pública e previdência. Afirmar que não há diferenças entre os candidatos revela uma falta de atenção ao que realmente está em jogo.

A segunda justificativa, que um único voto não faz diferença, também é falha. Um exemplo claro ocorreu nas eleições de 2020, em Kaloré, no Paraná, onde dois candidatos a prefeito terminaram a apuração com exatos 1.186 votos cada. A decisão foi feita pelo artigo 110 do Código Eleitoral, que determina que, em caso de empate, o mais idoso seja eleito. Além disso, nas eleições municipais de 2016, diversas cidades brasileiras elegeram prefeitos com apenas um voto de diferença, demonstrando que a participação do eleitor é crucial.

A terceira justificativa, de que política não diz respeito ao eleitor, ignora a realidade. Questões cotidianas, como o preço dos combustíveis, a fila para exames e a carga tributária sobre o salário, são diretamente influenciadas por decisões políticas. Aqueles que se afastam da política continuam a arcar com as consequências, mas sem a oportunidade de opinar sobre elas.

É importante lembrar que o direito ao voto é relativamente recente no Brasil. A Emenda Constitucional que restabeleceu as eleições diretas foi aprovada na Câmara dos Deputados em 25 de abril de 1984, após uma luta intensa da sociedade civil. O retorno ao voto direto foi um marco que permitiu ao povo escolher seus representantes, e a Justiça Eleitoral tem um papel fundamental na organização desse processo.

Nos dias de votação, todos os eleitores, independentemente de sua posição social, têm o mesmo peso ao apertar os botões na urna. Não há distinção entre o voto de um empresário e o voto de um funcionário. Isso demonstra a igualdade do processo eleitoral e a importância da participação de todos.