Em Rebouças, município do Sudeste do estado, a Vara Cível determinou a suspensão imediata do Taj Diesel Fest, evento automotivo que estava agendado para os dias 4 a 7 de setembro. A decisão foi motivada por um pedido do Ministério Público do Paraná, através da Promotoria de Justiça local, que apontou uma série de irregularidades na organização do festival, colocando em risco a segurança do público.
Uma vistoria realizada pela Polícia Militar revelou 21 irregularidades no local do evento, que estava programado para acontecer na área rural de Barreiro. Dentre as falhas encontradas, destacam-se a insuficiência e inadequação dos banheiros, a falta de comprovação da contratação de segurança apropriada para o porte do evento, além da ausência de manifestação do Conselho Tutelar e deficiências no isolamento de corpos d’água, que poderiam gerar riscos de afogamento.
O espaço destinado ao festival apresentava apenas uma via de acesso para entrada e saída, o que poderia dificultar a evacuação em situações de emergência. Além disso, as rotas de fuga eram insuficientes e havia risco de inundações no local. A publicidade divulgada para o evento também indicava que as atividades ocorreriam durante a madrugada, em contrariedade aos horários autorizados, que eram das 8 às 24 horas.
A situação foi agravada pela promoção do evento, que oferecia entrada gratuita para crianças até 12 anos e permitia a presença de adolescentes em um ambiente com circulação de veículos pesados, como caminhonetes e tratores, além da possibilidade de consumo de bebidas alcoólicas. Esses fatores levantaram preocupações sobre a segurança das crianças e adolescentes, expostos a manobras arriscadas e a áreas sem proteção.
As investigações apontaram que os organizadores do evento disseminaram informações enganosas nas redes sociais, afirmando que o festival estava “100% regularizado”, o que foi desmentido pela Polícia Militar, que só realizou a vistoria após a divulgação. O croqui do espaço apresentado para solicitar as autorizações não correspondia às características reais do local.
Com a decisão judicial, a realização do evento foi interrompida, e foi estabelecido um prazo de 48 horas para a remoção das propagandas enganosas. Além disso, a Polícia Militar foi autorizada a interditar o local de forma preventiva. Em caso de descumprimento, foi fixada uma multa diária de R$ 500 mil pelo festival e R$ 10 mil a cada nova publicação que contrarie a ordem judicial.