Rebimar e UFPR abrem nova turma de curso gratuito para formação de professores

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O curso será realizado de forma assíncrona, em parceria com o Laboratório Móvel de Educação Científica (LabMóvel) do Setor Litoral da UFPR –

O Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), abre inscrições para a nova turma do Curso de Formação de Professores: Mata Atlântica e Oceano. Gratuita e on-line, a formação é voltada principalmente a professores da rede pública de ensino e educadores ambientais, mas está aberta a toda a comunidade interessada em educação ambiental e cultura oceânica.

Com 30 horas de carga horária e certificação emitida pela UFPR, o curso apresenta conteúdos e práticas pedagógicas que ajudam a aproximar os temas relacionados ao oceano e à Mata Atlântica da realidade dos estudantes, da alfabetização à Educação de Jovens e Adultos (EJA).

A proposta está alinhada aos objetivos da Década do Oceano (2021-2030), iniciativa global coordenada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para ampliar o conhecimento, a conservação e o uso sustentável dos oceanos. A cultura oceânica também está entre os princípios das chamadas Escolas Azuis, que estimulam a conexão entre educação, território e conservação marinha.

Da sala de aula para o território

O curso será realizado de forma assíncrona, em parceria com o Laboratório Móvel de Educação Científica (LabMóvel) do Setor Litoral da UFPR, responsável pela plataforma digital onde os conteúdos são disponibilizados. A iniciativa integra as ações de educação ambiental do Rebimar, programa patrocinado pelo Programa Petrobras Socioambiental, e conta ainda com parcerias institucionais, incluindo secretarias estadual e municipais de educação.

A formação aborda temas como fauna marinha e espécies ameaçadas, pesca e ocupação humana do litoral, sambaquis e patrimônio cultural, costões rochosos, lixo no mar, mudanças climáticas, extinção de espécies e o conceito de Uma Só Saúde (One Health).

Mais do que apresentar conteúdos teóricos, a proposta é mostrar aos professores como transformar esses temas em experiências pedagógicas relacionadas ao cotidiano dos alunos. Para isso, são disponibilizados materiais que podem ser utilizados diretamente em sala de aula, como cartilhas, guias de atividades, apostilas e livro infantil.

Poesia, gráficos, tabelas, reportagens, avisos, maquetes e obras de arte estão entre as ferramentas sugeridas para trabalhar a cultura oceânica em diferentes disciplinas.

Para o professor Marcos Gernet, do Laboratório de Evolução e Diversidade Zoológica da UFPR e um dos ministrantes do curso, conhecer o território é fundamental para desenvolver uma relação de pertencimento e responsabilidade com o meio ambiente.

“Quando não há percepção de onde se vive, não se pensa no macro. Como você vai cuidar de algo que não sabe o que é? Como vai se sentir pertencente a algo que nem sabe que existe? Essas barreiras é que precisamos continuar quebrando”, afirma Gernet.

A coordenadora-geral do Rebimar, Lilyane Fontoura, destaca que o formato on-line permite ampliar o alcance da formação e criar uma rede de professores em diferentes regiões do país. “A internet nos dá a possibilidade de ampliar o alcance desta rede de formação. Ofertamos todos os materiais gratuitamente em nosso site, é só baixar e educar.”

160 professores formados no primeiro semestre

Esta é a segunda turma do curso em 2026. No primeiro semestre, 160 professores e educadores ambientais concluíram a formação. Como as aulas são on-line, participaram profissionais de diferentes estados onde o bioma Mata Atlântica está presente.

Para Emerson Joucoski, coordenador de Educação Ambiental do Rebimar e da pós-graduação em Desenvolvimento Territorial Sustentável da UFPR, a formação continuada é uma ferramenta importante para atualizar as práticas pedagógicas e ampliar o conhecimento dos professores sobre o território.

“O material foge do estilo padronizado das escolas e mostra a riqueza de nossa biodiversidade, permitindo aos docentes descobrir novas práticas pedagógicas envolvendo a cultura oceânica”, afirma Joucoski.

Ele também ressalta que a certificação do curso pode ser utilizada pelos profissionais para fins de progressão de carreira, conforme as regras de cada rede de ensino.

Conhecimento que chega à sala de aula

A experiência da última turma mostra como os conteúdos podem ser adaptados a diferentes faixas etárias e disciplinas. A professora Daniela Fernandes, da Escola Municipal Emílio de Menezes, em São José dos Pinhais, trabalhou os conteúdos com seus alunos a partir do interesse despertado pelos animais marinhos.

“Muitos nem sabiam que o mero existe aqui no nosso litoral, ou o que são sambaquis. Então, trabalhei desde gêneros textuais até números, fazendo com que, brincando, reflitam sobre a importância da biodiversidade, dos ecossistemas e da conservação”, conta. “O resultado foi incrível.”

Já a professora Fabiana Rodrigues, do Colégio Estadual Cidália Gomes, em Paranaguá, encontrou no curso novas maneiras de abordar a relação entre seus alunos adultos e o ambiente em que vivem.

“Eles percebem o lixo do mangue subindo com as chuvas e chegando na porta de casa, sabem o quanto o lixo dificulta a pesca, mas não separavam o reciclável. Então, trabalhamos para que entendam sua própria realidade e responsabilidade como comunidades caiçaras”, conta Fabiana. Segundo ela, os conteúdos também permitiram trabalhar temas como legislação e cidadania.

Em Colombo e Curitiba, a professora de Artes Valéria Acioli também utilizou os conteúdos do curso em suas aulas. A experiência a levou a defender que o tema seja ampliado para outros professores da rede estadual.

“O curso trouxe outras abordagens, para ir além das práticas tradicionais. É tanta informação sobre mar que, muitas vezes, nem nós professores conhecemos. Saímos do curso com novos temas, um grande vocabulário marítimo e o conhecimento de datas importantes”, afirma.

Inscrições

As aulas da nova turma começam em 1º de outubro e seguem até 28 de fevereiro. Como a plataforma é assíncrona, os participantes não precisam estar conectados simultaneamente. Os módulos são liberados de acordo com o cronograma disponível na página inicial do curso e podem ser acompanhados conforme a disponibilidade de cada participante.

As inscrições para o Curso de Formação de Professores Rebimar: Mata Atlântica e Oceano devem ser feitas pelo link.

Com informações da assessoria



Fonte:A Rede PG