A liberdade religiosa é um direito fundamental que deve ser garantido a todos os indivíduos, independentemente de suas crenças. Esse princípio está consagrado na Constituição Brasileira, que assegura a liberdade de consciência e de crença, além do livre exercício dos cultos religiosos. A verdadeira proteção a esse direito se revela quando é aplicada a todos, incluindo aqueles que se identificam como ateus.
Cada grupo religioso tem a responsabilidade de lutar não apenas por sua própria liberdade, mas também pela liberdade dos outros. É essencial que cristãos, judeus, muçulmanos, espíritas, umbandistas, candomblecistas e seguidores de outras tradições religiosas se unam em defesa mútua contra a intolerância. Quando uma religião é atacada, todas as religiões estão em risco.
Uma regra de convivência crucial é o respeito pelo sagrado do próximo, mesmo que esse sagrado não signifique nada para nós. Muitas vezes, há um equívoco entre pessoas religiosas que acreditam que defender a liberdade do outro implica em reconhecer a validade da fé alheia. Essa defesa não requer a concordância com a crença do outro ou a participação em seus rituais, mas sim o reconhecimento de que, em uma sociedade livre, todos têm os mesmos direitos civis e constitucionais.
Proteger os direitos de quem professa uma fé diferente é também uma forma de proteger os próprios direitos. Não é necessário compartilhar do que é sagrado para o outro para afirmar seu direito de tê-lo. Ao apoiar a liberdade religiosa, não se enfraquecem as próprias convicções; pelo contrário, fortalece-se a Constituição que garante esses direitos.
A ideia de liberdade religiosa deve transcender a noção de aceitação apenas dos mais influentes ou numerosos. A Constituição não distribui direitos com base na popularidade das religiões. Em vez disso, ela protege a consciência individual, e essa proteção é comprometida quando as pessoas se preocupam apenas com seus próprios grupos.
Defender a liberdade religiosa significa apoiar todos os locais de culto e as tradições religiosas quando são atacados, seja a igreja, a sinagoga, a mesquita ou o terreiro. O sagrado do outro pode não ser sagrado para nós, mas o direito de cada um de considerar sua fé como sagrada deve ser respeitado. Além disso, o respeito à Constituição, que deve ser sagrado para todos, é um princípio que deve ser sempre defendido.