Recentemente, tem-se observado um aumento no uso de eventos astronômicos por pastores para interpretar ou anunciar a Parousia, o que suscita preocupações, especialmente quando a astrologia é utilizada para tal fim. É crucial diferenciar astronomia de astrologia, uma vez que a primeira é uma ciência e a segunda, uma pseudociência. A astronomia estuda a composição e o movimento dos corpos celestes, enquanto a astrologia acredita que esses movimentos podem influenciar o destino e a personalidade dos indivíduos.
Historicamente, astronomia e astrologia eram interligadas, com astrólogos desempenhando um papel crucial na manipulação das massas por meio da previsão de fenômenos como eclipses solares. Essa prática conferia aos governantes um poder extraordinário, pois a previsão de eventos astronômicos poderia ser usada para coagir a população, sob o temor de que deuses irados poderiam trazer desastres.
A separação entre as duas disciplinas tornou-se clara durante a Revolução Científica, quando pensadores como Nicolau Copérnico, Galileu Galilei e Johannes Kepler estabeleceram as bases do método empírico e da física como fundamentos da astronomia. A partir do século 18, a astronomia se consolidou como uma ciência natural rigorosa, enquanto a astrologia ficou restrita a sistemas de crença esotérica.
Nas Escrituras, a linguagem cósmica é frequentemente utilizada em passagens proféticas, como a descrição do Sol escurecendo e a Lua se tornando em sangue, conforme descrito em Joel 2:31, Mateus 24:29 e Apocalipse 6:12,13. Embora essas imagens possam levar à tentação de associá-las à astrologia para prever eventos ou mapear o futuro, é importante lembrar que essas referências visam demonstrar a soberania divina e a linguagem apocalíptica de juízo e redenção.
A advertência contida Nas Escrituras é clara: a dependência de astrólogos e prognosticadores cósmicos é condenada. Em passagens como Isaías 47:13,14 e Deuteronômio 18:10–14, a tentativa de prever o futuro com base nas estrelas é considerada não apenas inútil, mas também espiritualmente arriscada. O chamado bíblico não é para consultar configurações astrais com o propósito de antecipar o retorno de Cristo ou eventos escatológicos, mas para manter uma postura de vigilância e fidelidade moral ao Criador que rege o cosmos.
A mensagem das profecias bíblicas é que o universo serve como um cenário para as ações redentoras de Deus, e não como um controlador do destino humano. Assim, é crucial ter discernimento em relação aos “profetas digitais” que frequentemente fazem previsões apocalípticas baseadas em fenômenos astrológicos, classificando tais práticas como heresia.