Tifanny Abreu, jogadora do Osasco, se manifestou pela primeira vez após a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) divulgar uma nova política de elegibilidade para competições femininas. Em um momento de emoção, Tifanny revelou que está enfrentando dificuldades e reafirmou sua determinação em lutar por sua permanência no voleibol.
A nova norma, que entrou em vigor em 14 de agosto, restringe a participação na categoria feminina a atletas classificadas pela CBV como do sexo biológico feminino. A verificação da elegibilidade será realizada por meio da triagem do gene SRY. Essa mudança inviabiliza, na prática, a participação de Tifanny, uma mulher trans, em torneios nacionais, incluindo a próxima Superliga.
Após a estreia do Osasco no Campeonato Paulista, Tifanny leu um texto que elaborou para compartilhar suas reflexões sobre a nova regra. Ela admitiu que a decisão da CBV teve um forte impacto emocional em sua vida. Com uma trajetória de dez anos no voleibol feminino, a atleta ressaltou que essa alteração não afeta apenas sua carreira, mas também o clube, os torcedores, os patrocinadores e todos que a apoiam.
Tifanny criticou a reintrodução de testes genéticos para determinar a elegibilidade na categoria feminina, afirmando que isso representa um retrocesso nas discussões sobre inclusão no esporte. Ao final de sua declaração, foi enfática: “Não vou me calar”, expressando sua intenção de tomar medidas para garantir seus direitos e sua continuidade na modalidade.
A nova política da CBV se aplicará na Superliga A e B 2026/27, na Supercopa 2026, na Copa Brasil 2027 e em competições nacionais de vôlei de praia a partir de 2027. De acordo com as novas diretrizes, todas as atletas que desejam competir na categoria feminina deverão passar por uma triagem para verificar a presença do gene SRY, com coletas podendo ser feitas via saliva, mucosa bucal ou sangue.
No entanto, a situação de Tifanny no Campeonato Paulista é diferente. A Federação Paulista de Volleyball optou por manter as regras vigentes no início do estadual, que começou em 13 de agosto, um dia antes da nova política da CBV. Assim, a atleta está autorizada a continuar defendendo o Osasco no torneio.