El Niño deve aumentar as chuvas no Paraná e elevar temperaturas

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Fenômeno pode ganhar intensidade no fim de 2026 e manter influência sobre o clima do estado durante a primavera e o verão, com maior risco de temporais e episódios de chuva volumosa

O fortalecimento do El Niño deve provocar mudanças importantes no clima do Paraná nos próximos meses, principalmente com aumento das temperaturas e da frequência de chuvas. A previsão é de que o fenômeno atinja intensidade muito forte entre a primavera e o verão de 2026/2027, mantendo influência sobre o Sul do Brasil até o primeiro trimestre do próximo ano.

Segundo projeções da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), existe mais de 90% de probabilidade de o El Niño alcançar intensidade muito forte no fim de 2026. Essa classificação ocorre quando a temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial fica pelo menos 2°C acima da média.

O fenômeno já está em processo de intensificação. Em julho, uma das principais áreas utilizadas para monitorar o Pacífico apresentou temperatura 1,4°C superior à média histórica. O pico deve ocorrer entre outubro e dezembro, justamente durante a primavera e o início do verão.

No Paraná, o principal reflexo esperado será o aumento da chuva. O Simepar aponta que o El Niño tende a favorecer precipitações acima da média no Sul do país, com maior possibilidade de acumulados elevados no Oeste, Sudoeste e Centro-Sul paranaenses.

A maior quantidade de chuva também aumenta a possibilidade de episódios de tempo severo. Temporais acompanhados de ventos fortes, granizo, alagamentos, enxurradas e inundações podem se tornar mais frequentes durante os períodos de instabilidade.

Na capital paranaense, a influência do El Niño não significa que o frio desaparecerá durante a primavera. Massas de ar frio ainda poderão avançar pelo estado e provocar quedas temporárias nos termômetros, principalmente durante a passagem de sistemas meteorológicos associados às frentes frias.

A tendência, porém, é de que os períodos de frio intenso e prolongado percam espaço à medida que a primavera avance. Com o aumento gradual das temperaturas, Curitiba deverá alternar dias mais quentes com episódios de resfriamento provocados pela entrada de massas de ar frio.

Durante o verão, a tendência é de temperaturas mais elevadas e maior disponibilidade de umidade. A combinação entre calor e umidade pode favorecer a formação de pancadas de chuva e tempestades, principalmente no período da tarde e da noite.

Isso significa que o El Niño não deve produzir um período permanentemente quente ou chuvoso. O fenômeno altera os padrões atmosféricos em escala regional, mas as condições do tempo continuarão variando de acordo com a atuação de frentes frias, massas de ar e outros sistemas meteorológicos.

Os efeitos associados ao fenômeno já aparecem nos registros do inverno. Das 45 estações meteorológicas do Simepar com mais de cinco anos de funcionamento, 41 registraram volumes de chuva acima da média em julho.

Em Palmas, no Sul do estado, foram acumulados 311 milímetros durante o mês, maior volume registrado para julho desde o início das medições na estação, há 28 anos.

Também foram registrados recordes de chuva para julho em Altônia, Cianorte, Cornélio Procópio, Cruzeiro do Iguaçu, Foz do Iguaçu e Ubiratã, considerando os períodos de funcionamento das respectivas estações.

O cenário indica que o Paraná poderá enfrentar uma primavera e um verão com maior frequência de episódios de chuva intensa. Para Curitiba, a perspectiva é de elevação gradual das temperaturas, intercalada por períodos de frio passageiro, enquanto o excesso de umidade aumenta a possibilidade de temporais.

O aumento das precipitações pode favorecer o setor agrícola ao reduzir períodos de deficiência hídrica e melhorar a disponibilidade de água para as lavouras. Entretanto, volumes excessivos também podem causar prejuízos.

Solos muito úmidos podem dificultar operações de plantio e colheita, provocar erosão e favorecer o surgimento de doenças provocadas por fungos. Dependendo da cultura e da etapa de desenvolvimento das plantas, a chuva acima do esperado também pode afetar a qualidade da produção.

Assim, o principal efeito esperado do El Niño no Paraná não é a chegada de uma nova onda de frio, mas uma mudança para um cenário mais quente e úmido, sobretudo na primavera e no verão. O estado deverá continuar sujeito a entradas de ar frio, mas a tendência é de maior frequência de chuva e de eventos de tempo severo até o início de 2027.

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Fonte:Paraná Jornal