No Dia do Estudante, especialista destaca que geração hiperconectada possui grande potencial, mas precisa desenvolver competências humanas para ampliar seu impacto profissional
Nunca foi tão fácil aprender. Em poucos minutos, um estudante consegue acessar cursos online, pesquisar qualquer assunto, utilizar ferramentas de inteligência artificial para organizar ideias e consumir conteúdos produzidos por especialistas de diferentes áreas. Ao mesmo tempo, cresce um desafio observado por empresas e especialistas em desenvolvimento profissional: muitos jovens chegam ao mercado com amplo conhecimento técnico, facilidade para aprender e domínio das tecnologias, mas ainda precisam desenvolver competências de comunicação para apresentar projetos, participar de processos seletivos e defender suas próprias ideias.
O cenário ganha destaque às vésperas do Dia do Estudante, celebrado em 11 de agosto, em um momento em que competências humanas passaram a ocupar um papel estratégico no mercado de trabalho. O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que liderança, influência social, resiliência, empatia e escuta ativa estão entre as capacidades que ganharão relevância nos próximos anos, especialmente diante do avanço da inteligência artificial.
Para Jeniffer Koyama, fundadora e CEO da JK Academy, empresa de desenvolvimento humano focada em comunicação, oratória e preparação profissional, o desafio revela um paradoxo da geração que cresceu conectada: embora tenha mais acesso ao conhecimento, parte dos jovens chega ao mercado sem segurança para transformar esse repertório em posicionamento, influência e relacionamento.
“Recebemos jovens extremamente preparados tecnicamente. Muitos têm graduação, cursos complementares e dominam ferramentas digitais, mas travam quando precisam apresentar um projeto, participar de uma entrevista, conduzir uma reunião ou defender uma ideia. O conhecimento existe, mas muitas vezes falta confiança para comunicar esse valor”, afirma.
Segundo a especialista, a mudança na forma de interação social também influencia esse comportamento. Com boa parte das relações mediadas por telas, mensagens instantâneas e redes sociais, situações presenciais que ajudam a desenvolver argumentação, improviso, leitura corporal e escuta ativa acabam sendo menos frequentes.
“Hoje, quase tudo pode ser editado. Uma mensagem pode ser apagada, um vídeo pode ser gravado diversas vezes e a inteligência artificial pode ajudar a estruturar uma apresentação. Mas a vida profissional continua acontecendo em tempo real. Entrevistas, reuniões, negociações e apresentações exigem espontaneidade, clareza e capacidade de conexão”, explica Koyama.
O paradoxo da geração hiperconectada
O desafio não está na falta de preparo ou capacidade técnica. Pelo contrário, muitos jovens chegam ao mercado com conhecimento atualizado, domínio de ferramentas digitais e facilidade para aprender novos conteúdos. A dificuldade aparece quando precisam transformar esse repertório em posicionamento e transmiti-lo diante de outras pessoas.
Entre os principais desafios observados pela JK Academy estão o medo de falar em público, a insegurança em processos seletivos, o receio de gravar vídeos, a dificuldade para fazer networking, a falta de confiança para liderar projetos e os obstáculos para construir posicionamento profissional.
“Existe uma diferença entre saber algo e conseguir transmitir aquilo de forma clara e convincente. No mercado, não basta ter boas ideias: é preciso conseguir apresentá-las, defendê-las e gerar conexão com as pessoas”, destaca a CEO da empresa.
O avanço da inteligência artificial tem acelerado uma mudança na valorização das competências profissionais. Com ferramentas capazes de produzir textos, análises e apresentações, capacidades humanas passam a ter ainda mais relevância.
Para Jeniffer, a tecnologia não reduz a importância da comunicação, mas amplia seu valor. “A inteligência artificial democratiza o acesso ao conhecimento. Hoje, qualquer profissional pode contar com ferramentas para organizar informações e aumentar sua produtividade. O diferencial passa a estar naquilo que a tecnologia não entrega: capacidade de influenciar, liderar, negociar, criar confiança e construir relacionamentos”, enfatiza.
A tendência acompanha uma transformação global no mercado de trabalho. O Fórum Econômico Mundial aponta que, com o avanço da automação, competências socioemocionais estão entre as mais valorizadas pelas empresas, justamente por serem difíceis de substituir por máquinas.
Os impactos desse desafio costumam surgir logo nas primeiras experiências profissionais. Segundo Jeniffer, muitos jovens deixam de aproveitar oportunidades não por falta de preparo técnico, mas pela dificuldade em demonstrar suas habilidades. Um candidato pode dominar completamente um assunto, mas, se não consegue explicar suas ideias em uma entrevista, transmitir segurança ou se posicionar diante de uma equipe, acaba não mostrando todo o seu potencial.
“Comunicação não é apenas falar em público. É saber ouvir, criar conexões, resolver conflitos e transmitir confiança. É uma habilidade presente em praticamente todos os momentos da carreira”, acrescenta Koyama.
Para a JK Academy, a juventude representa uma geração com enorme potencial, marcada pela criatividade, rapidez de aprendizado e capacidade de adaptação às novas tecnologias. Na visão da empresa, quando esses talentos conseguem unir o conhecimento que já possuem com a capacidade de se expressar, influenciar e criar conexões, tornam-se profissionais ainda mais preparados para transformar ambientes e liderar mudanças.
De acordo com Jeniffer, o futuro profissional será marcado pela combinação entre tecnologia e competências humanas. “A inteligência artificial vai transformar cada vez mais a forma como estudamos e trabalhamos. Mas são as pessoas que continuam criando conexões, liderando equipes, inspirando mudanças e construindo confiança. A nova geração já chega com muita inteligência, agilidade e capacidade de aprender. Quando esses jovens desenvolvem também a comunicação, eles se tornam uma potência, capazes de colocar suas ideias em prática e gerar impacto de verdade”, finaliza.
Sobre a JK Academy
Fundada em 2021, em Londrina (PR), a JK Academy é uma empresa especializada em comunicação, oratória, posicionamento profissional e desenvolvimento de lideranças. Criada pela empresária e mentora Jeniffer Koyama, fundadora do Método JK, a empresa desenvolve treinamentos, mentorias e imersões voltados ao fortalecimento de habilidades humanas, ajudando profissionais, líderes e organizações a aprimorarem sua comunicação, influência e capacidade de gerar conexões.