Estudos apontam que a bebida deixou de ser apenas fonte de energia e passou a marcar momentos de foco, pausa e conexão em uma rotina cada vez mais fragmentada
O café ganhou um novo significado para Millennials e Geração Z. Em meio ao trabalho híbrido, aos estudos, ao uso intenso de tecnologia e à multiplicidade de tarefas, a bebida passou a funcionar como um ritual capaz de organizar a rotina e criar momentos de foco, pausa e socialização. A mudança acompanha tendências de comportamento do consumidor identificadas por pesquisas internacionais e já é percebida pelo mercado de cafeterias.
De acordo com a pesquisa Gen Z & Millennial Survey 2026, da Deloitte, 74% dos profissionais da Geração Z e o mesmo percentual entre os Millennials já utilizam inteligência artificial em suas atividades de trabalho. Ao mesmo tempo, essas gerações apontam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, o bem-estar e a produtividade sustentável como prioridades diante de uma rotina marcada pela sobrecarga e pela necessidade constante de adaptação.
Nesse contexto, o café deixou de representar apenas uma fonte de cafeína para assumir um papel simbólico na organização do dia. Expressões como “vou tomar um café antes de começar”, “pausa para o café” e “vamos conversar tomando um café” refletem pequenos rituais que ajudam a delimitar mentalmente diferentes momentos da rotina, oferecendo uma sensação de estabilidade em um cotidiano cada vez mais acelerado.
As mudanças também são percebidas nas cafeterias. Dados da Mintel mostram que 70% dos brasileiros que consomem café fora de casa consideram esses estabelecimentos bons locais para trabalhar ou estudar. Entre consumidores de 16 a 24 anos, esse percentual sobe para 74%. Além disso, 25% dos jovens dessa faixa etária frequentam cafeterias regularmente para consumir café, enquanto quase 60% consideram o acesso ao Wi-Fi um fator essencial na escolha do local.
Para André Henning, cofundador da Go Coffee, esse comportamento demonstra que o café passou a desempenhar um papel muito mais amplo na rotina das novas gerações.
“Hoje, percebemos que o café representa muito mais do que energia. Para Millennials e Geração Z, ele se tornou um momento de transição entre tarefas, uma pausa consciente e também uma oportunidade de conexão. As cafeterias acompanham essa transformação ao oferecer ambientes que fazem parte da rotina das pessoas, seja para trabalhar, estudar ou encontrar amigos.”
Os números reforçam a transformação das cafeterias em um “terceiro espaço”, conceito utilizado para definir ambientes que vão além da casa e do escritório. Com infraestrutura adequada para trabalho remoto, estudos, reuniões e encontros informais, esses estabelecimentos acompanham a crescente flexibilidade das jornadas profissionais e acadêmicas.
“O consumidor de hoje procura praticidade, mas também ambientes onde consiga manter a produtividade e, ao mesmo tempo, fazer pequenas pausas durante o dia. A cafeteria passou a atender a essa necessidade ao reunir conveniência, conforto e uma experiência que acompanha a dinâmica da rotina moderna. Mais do que vender café, percebemos que fazemos parte desses momentos que ajudam as pessoas a organizar o dia”, avalia o empresário.
O comportamento acompanha uma tendência identificada em um estudo internacional da Deloitte com sete mil consumidores de café em 13 países, incluindo o Brasil. A pesquisa conclui que fatores como mudanças no estilo de vida, busca por conveniência, novos hábitos de consumo e interesse por experiências estão remodelando o mercado global de café, impulsionando novos formatos de consumo e a evolução das cafeterias como espaços multifuncionais.