Recentemente, o BTS gerou um amplo debate ao comunicar sua decisão de não participar do Grammy Awards 2027. Os integrantes do grupo sul-coreano justificaram essa escolha como um protesto contra a introdução da nova categoria de Melhor Performance de Música Pop Asiática. A medida levantou discussões sobre quem seria mais afetado por esse boicote: o grupo ou a premiação em si.
Para Dani Ribas, coordenadora da Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus), o foco não deve ser apenas em quem sai perdendo, mas sim no que essa atitude revela sobre as dinâmicas de poder presentes na indústria musical. O BTS criticou a nova categoria, afirmando que a música não deve ser classificada com base no idioma ou na origem cultural dos artistas.
Os membros do BTS expressaram que a criação dessa categoria pode resultar no isolamento de artistas asiáticos das principais competições da premiação, ao invés de promover uma verdadeira inclusão. Dani Ribas destaca que, nos últimos anos, a música produzida fora do eixo anglófono, que engloba países onde o inglês é predominante, tem conquistado cada vez mais espaço e relevância globalmente. Esse fenômeno não se limita ao K-pop, abrangendo também estilos como reggaeton, trap latino, funk brasileiro e afrobeats.
O BTS já se destacou em eventos de grande visibilidade, como a apresentação na final da Copa do Mundo de 2026. A decisão de não se inscrever no Grammy, , reflete a perda relativa da hegemonia da música em inglês, exigindo que a indústria musical amplie seus investimentos em mercados diversificados e distribua esses conteúdos globalmente. Ao mesmo tempo, as premiações tentam se adaptar a essa transformação, mas sem necessariamente promover uma redistribuição de poder dentro do setor.
A pesquisadora Kamille Viola considera essa decisão estratégica, ressaltando que a extensa base de fãs do BTS contribui para que o debate sobre representatividade na música ganhe mais destaque, aumentando a pressão sobre a premiação. Viola acredita que a atitude do grupo é acertada, considerando sua posição influente na indústria, e enfatiza que a discussão já foi levantada por outros artistas em relação a categorias diversas.
Além disso, a ausência de uma vitória no Grammy não é um fator que impeça o sucesso de um artista. O reconhecimento da Academia de Gravação, organizadora do prêmio, não é o único indicador de relevância ou desempenho no mercado. Embora o BTS opte por não buscar essa validação, a premiação pode enfrentar uma diminuição na audiência e no engajamento de um dos maiores grupos de fãs da música atual. A pesquisadora finaliza que apenas um fenômeno como o BTS, com números tão expressivos e uma base de fãs mobilizada, poderia desafiar o Grammy e provocar uma reflexão sobre sua abordagem.