Dra Mariana Halla

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A exaustão não é fraqueza: é o seu corpo pedindo socorro Você reconhece essa mulher. Talvez seja você. Depois dos 40, ela trabalha, cuida dos filhos, do marido, às vezes dos pais já doentes — e some da própria lista de prioridades. Até que um dia o corpo trava. Não é frescura, não é falta de organização: é biologia dizendo que o limite chegou. Uma série de revisão publicada na The Lancet em 2024 ajuda a entender esse quadro com mais precisão. Os autores mostram que a menopausa, por si só, não empurra toda mulher para o sofrimento psicológico — mas identificam quem realmente está em maior risco: quem tem sintomas vasomotores intensos, histórico prévio de depressão ou viveu eventos estressantes recentes. Ou seja: sua exaustão não é “coisa da sua cabeça”, nem apenas hormônio agindo sozinho. É a soma de uma vida sobrecarregada com um corpo que, nessa fase, tem menos margem para absorver tudo isso. E essa margem menor é real. As oscilações hormonais reduzem a tolerância a estímulos e contrariedades do dia a dia, e podem interferir na produção de neurotransmissores ligados ao bem-estar. Ao mesmo tempo, a absorção de vitaminas e minerais pelos alimentos, que antes acontecia sem esforço, passa a ser menos eficiente. Some a isso a rotina real: refeições feitas correndo, mastigação apressada, digestão que nunca se completa direito. O resultado é um corpo tentando funcionar com menos recurso disponível, exatamente quando mais precisa dele. Diante disso, três frentes costumam fazer diferença. A investigação e reposição de vitaminas e minerais quando exames mostram deficiência real, não por adivinhação. A terapia de reposição hormonal, quando bem indicada e individualizada — nunca genérica. E a mais simples de nomear e mais difícil de praticar: pedir ajuda antes que tudo desmorone, não depois. Se você se reconheceu nessas linhas, isso não é um sinal de que você falhou em dar conta de tudo. É um sinal de que já é hora de olhar para si com o mesmo cuidado que você dedica a todo mundo ao seu redor. Comece conversando com seu médico sobre o que você tem sentido — sem esperar o esgotamento total para isso. Dra. Mariana Halla — médica especialista em saúde feminina, menopausa e longevidade

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