Investigação no Senado dos EUA examina declarações de Fauci sobre a origem da covid-19

O senador Rand Paul divulga anotações de Anthony Fauci que podem contradizer seus depoimentos ao Congresso sobre a pandemia. A audiência ocorrerá nesta quarta-feira, 29.
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O infectologista Anthony Fauci volta a ser o foco de uma das maiores controvérsias relacionadas à pandemia de covid-19. O senador republicano Rand Paul, que preside o Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado, divulgou mais de mil páginas de anotações pessoais de Fauci, escritas entre 2019 e 2022. A audiência que discutirá o conteúdo destes documentos está agendada para esta quarta-feira, 29, e visa investigar se o ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) forneceu informações falsas ao Congresso sobre a origem do coronavírus e o financiamento de pesquisas pertinentes ao vírus.

Rand Paul alega que os registros mostram discrepâncias entre os relatos privados de Fauci e suas declarações públicas durante a crise sanitária. Ao anunciar a divulgação dos arquivos, o senador destacou que “o que Fauci escreveu em privado e o que contou ao país são duas histórias diferentes”. No entanto, até o momento, Paul não apresentou uma conclusão oficial que comprove que Fauci tenha cometido perjúrio. A audiência terá como objetivo confrontar o conteúdo dos diários com os depoimentos anteriores do infectologista ao Congresso.

As mais de mil páginas revelam um relato quase diário da atuação de Fauci durante os momentos críticos da pandemia. Os registros incluem detalhes sobre reuniões na Casa Branca, interações com membros do governo, conversas com cientistas e autoridades de saúde, além de reflexões pessoais sobre a crise e a intensa exposição pública que enfrentou.

Os diários também trazem informações sobre a relação entre Fauci e o então presidente Donald Trump. Em várias passagens, o médico expressa frustração com as declarações do presidente sobre a pandemia, relatando dificuldades em convencê-lo a adotar uma comunicação mais alinhada às recomendações científicas. Fauci chegou a classificar Trump como “embaraçoso” e criticou suas falas que, segundo ele, minimizavam a gravidade da covid-19.

Aliados de Fauci defendem que as anotações apenas refletem a pressão enfrentada por quem se tornou o principal porta-voz da resposta à pandemia nos Estados Unidos. Com 85 anos, Fauci dirigiu o NIAID por quase quatro décadas e atuou como principal assessor médico de sete presidentes. Durante a pandemia, ele liderou a estratégia científica do governo federal e participou de inúmeras entrevistas coletivas e audiências no Congresso. Em 2022, Fauci deixou o serviço público após 54 anos de carreira e, em janeiro de 2025, recebeu um perdão preventivo do então presidente Joe Biden, com o objetivo de protegê-lo de possíveis processos federais relacionados à sua atuação na pandemia.

A expectativa é que a audiência desta quarta-feira reabra um dos debates mais polarizados da pandemia. Enquanto os republicanos afirmam que os documentos levantam novos questionamentos sobre a transparência nas ações de Fauci, democratas e aliados do ex-diretor do NIAID sustentam que as anotações pessoais não evidenciam qualquer irregularidade nem comprovam que ele mentiu ao Congresso.