O cinema brasileiro sofreu uma grande perda na quarta-feira (22) com a morte de Luiz Carlos Barreto, conhecido como Barretão, que faleceu aos 98 anos. A confirmação foi feita pela família ao jornal O Globo. Barreto foi uma figura central na evolução da indústria cinematográfica do Brasil, contribuindo significativamente para a transformação do audiovisual nacional ao produzir obras-primas que marcaram a história do cinema no país.
Juntamente com sua esposa e parceira de trabalho, Lucy Barreto, ele fundou a LC Barreto Produções, uma produtora responsável por diversos filmes que conquistaram o público e foram reconhecidos em festivais internacionais. A carreira de Barretão começou no fotojornalismo, e sua trajetória foi marcada pela defesa da produção nacional, buscando sempre um cinema popular que não comprometesse a qualidade artística.
A saúde de Luiz Carlos Barreto vinha se deteriorando desde 2024, após ele sofrer uma queda durante uma viagem ao Ceará. O cineasta estava internado no Hospital Copa Star, localizado em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde tratava uma infecção pulmonar causada por pneumonia desde o dia 14 de julho.
Natural de Sobral, no Ceará, Barreto nasceu em 1928 e iniciou sua carreira profissional ainda jovem, atuando como jornalista e fotógrafo. Sua aproximação com o cinema se deu através de colaborações com renomados cineastas como Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos. Seu talento como diretor de fotografia se destacou em Vidas Secas (1963), um clássico do Cinema Novo, que revolucionou a estética do cinema brasileiro ao retratar a paisagem nordestina com iluminação natural e altos contrastes.
Como produtor, Luiz Carlos Barreto esteve à frente de diversas produções que se tornaram referências no cinema nacional, incluindo Dona Flor e Seus Dois Maridos e Bye Bye Brasil. Sua visão defendia um cinema que conseguisse dialogar com o grande público sem abrir mão da relevância artística, o que se tornou uma premissa essencial para os projetos da LC Barreto Produções ao longo de mais de seis décadas.
O legado de Barreto é vasto, com mais de 70 produções que incluem alguns dos filmes mais significativos da cinematografia brasileira. Seu trabalho foi fundamental para revelar novos talentos, fortalecer o Cinema Novo e impulsionar a recuperação do cinema nacional nos anos 1990, além de consolidar um modelo de produção que influenciou várias gerações de cineastas.