O setor de viagens corporativas no Brasil está passando por um novo ciclo de crescimento. Após encerrar 2025 com um faturamento recorde de R$147,8 bilhões, a expectativa é que alcance cerca de R$158 bilhões em 2026, conforme o Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela ALAGEV em colaboração com a FecomercioSP.
Esse crescimento não apenas reflete a retomada dos deslocamentos presenciais, mas também indica uma mudança significativa na abordagem das empresas em relação à mobilidade corporativa. Cada vez mais, as organizações estão considerando a mobilidade como parte integrante de suas estratégias de gestão de pessoas, ao invés de tratá-la apenas como um centro de custos.
Carlos Roberto Prado, presidente do Grupo Tour House, destaca que essa nova visão impactou as políticas de viagens das empresas. As decisões, que antes eram dominadas pelas áreas financeiras, agora contam com a participação ativa do setor de Recursos Humanos, que avalia aspectos como bem-estar, produtividade, engajamento e retenção de talentos.
Embora o controle de custos continue sendo uma prioridade, a preocupação em proporcionar uma experiência que possibilite ao colaborador executar suas funções de maneira eficaz se tornou central. “Não basta economizar. É preciso gerar resultado”, afirma Prado.
Os dados corroboram essa nova realidade. No primeiro trimestre de 2026, as agências de viagens corporativas associadas à Abracorp movimentaram R$3,57 bilhões, registrando um aumento de 12,4% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse desempenho não apenas reflete um aumento na demanda, mas também indica que as empresas estão voltando a investir em encontros presenciais para fortalecer equipes, desenvolver lideranças e acelerar decisões de negócios.
Prado observa que, embora o trabalho híbrido tenha reduzido algumas viagens operacionais, a importância de treinamentos, convenções e eventos destinados à integração das equipes aumentou. “O conteúdo pode acontecer virtualmente, mas a integração ocorre nos encontros presenciais, nas conversas e nas conexões que surgem fora da sala de reunião”, ressalta.