A República Democrática do Congo (RDC) enfrenta um surto alarmante de ebola, com mais de 2 mil casos confirmados, incluindo 754 mortes, conforme informaram as autoridades de saúde locais nesta quarta-feira (15). A epidemia, que teve início em abril deste ano, se propaga em um ritmo sem precedentes, atingindo novas áreas e levantando preocupações sobre a eficácia da resposta médica, segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF).
De acordo com a MSF, o número de casos confirmados triplicou em menos de cinco semanas e o número de mortes aumentou cinco vezes. A organização destacou que a situação já supera a metade do total de casos registrados durante a epidemia anterior de ebola, que ocorreu entre 2018 e 2020 na RDC e durou quase dois anos.
O diretor de operações de emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS), Chikwe Ihekweazu, alertou que 80% dos novos casos não estão relacionados a contatos conhecidos, surgindo de cadeias de transmissão desconhecidas. Muitos indivíduos afetados já faleceram antes de serem encaminhados a um centro de saúde, complicando ainda mais a situação.
A OMS também indicou que o número real de casos pode ser de duas a quatro vezes maior do que as estimativas oficiais, particularmente na região de Bundibugyo, onde a variante do vírus está se espalhando. Atualmente, não existem vacinas ou tratamentos disponíveis para essa variante específica do ebola.
Em resposta à gravidade da epidemia, a OMS anunciou que iniciou na terça-feira (14) o primeiro ensaio clínico para avaliar a eficácia de um antiviral, na esperança de encontrar uma solução para conter a disseminação da doença. Este surto é considerado a terceira maior epidemia de ebola desde a identificação da doença, que ocorreu há 50 anos, e suas origens permanecem envoltas em mistério.