Senador Flávio Bolsonaro propõe blindagem do Pix em troca de adiamento de tarifas dos EUA

Em proposta ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro sugere impedir integração do Pix a sistemas não ocidentais e pede adiamento de tarifas sobre produtos brasileiros.
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O senador Flávio Bolsonaro, do PL, apresentou uma proposta ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) na quarta-feira (1º) que busca um "compromisso legislativo" relacionado ao sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, conhecido como Pix.

No documento de 86 páginas enviado ao USTR, Flávio sugere a implementação de medidas que impeçam a integração do Pix a sistemas de pagamento que sejam classificados como "não ocidentais". Em contrapartida, ele solicita o adiamento por 180 dias da tarifa adicional de 25% aplicada a produtos brasileiros.

O senador argumenta que o Pix não representa uma concorrência direta para as empresas norte-americanas do setor financeiro. Ele ressalta que a plataforma, desenvolvida pelo Banco Central, atua como uma infraestrutura pública de pagamentos, assemelhando-se ao FedNow, sistema gerido pelo Federal Reserve dos Estados Unidos.

Flávio também refuta as preocupações levantadas pelo governo de Donald Trump, do Partido Republicano, sobre possíveis conflitos de interesse relacionados ao sistema brasileiro, considerando as alegações como "exageradas". Ele destaca que a eventual aplicação das tarifas não impactaria a estrutura do Pix, mas poderia gerar consequências negativas para os investimentos dos Estados Unidos no Brasil.

O senador aponta que a aplicação das tarifas poderia, na verdade, fortalecer politicamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. A proposta foi protocolada no último dia do prazo estipulado pelo USTR para o recebimento de contribuições sobre a investigação comercial envolvendo o Brasil.

Flávio Bolsonaro também participará de uma audiência pública sobre o assunto, agendada para os dias 6 e 7 de julho em Washington. Em sua argumentação, ele menciona que a manutenção das tarifas em um ano eleitoral poderia beneficiar o atual governo brasileiro ao criar um cenário de retaliações e, posteriormente, converter essa retaliação em uma vitória política interna.