Dez anos de Brexit: britânicos ainda divididos sobre a decisão

Pesquisa revela que 56% dos britânicos acreditam que a saída da União Europeia foi um erro. Renúncia do primeiro-ministro Keir Starmer intensifica discussões sobre o futuro político do Reino Unido.
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A decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE), tomada em um referendo há 10 anos, continua a gerar dúvidas entre a população. Uma pesquisa realizada pelo instituto YouGov revelou que 56% dos entrevistados consideram que a saída foi um erro, enquanto 62% a classificam como um fracasso.

Sara Hobolt, professora de Instituições Europeias e diretora do Departamento de Governo da London School of Economics (LSE), explica que o referendo criou duas categorias políticas distintas: os apoiadores da saída, conhecidos como Leavers, e os que desejavam permanecer, chamados de Remainers. Dez anos após o pleito, as identidades políticas permanecem profundamente enraizadas, com quase dois terços dos britânicos se identificando como parte de uma dessas correntes, muitas vezes com vínculos mais fortes do que a lealdade a partidos políticos.

No referendo realizado há uma década, 51,9% dos eleitores optaram pela saída da UE, enquanto 48,1% preferiram a permanência no bloco europeu. O aniversário do referendo coincide com a recente renúncia do primeiro-ministro trabalhista, Keir Starmer, que esteve no cargo por quase dois anos.

Hobolt destaca que essa votação transformou um tema político relativamente distante em uma divisão social e política significativa, contribuindo para a fragmentação da política britânica. O Reino Unido se aproxima da escolha de seu sétimo primeiro-ministro em pouco mais de dez anos, refletindo a instabilidade gerada por essa questão.

Com a saída de Starmer, Andy Burnham, da ala mais à esquerda do Partido Trabalhista e atual prefeito da Grande Manchester, é apontado como seu provável sucessor. Embora Burnham não tenha se posicionado claramente sobre um retorno imediato à UE, suas declarações indicam uma possível reconsideração da saída como um erro.

Em maio, durante uma campanha para uma eleição suplementar que poderia levá-lo de volta ao Parlamento, Burnham mencionou ao canal ITV a existência de um “argumento de longo prazo” a favor do retorno à União Europeia. No entanto, ele enfatizou que não defenderia essa posição durante a campanha nas eleições suplementares, que ele acabou vencendo.