O pé amputado de um servidor público, condenado por um golpe de R$ 1,5 milhão em seguradoras, foi encontrado em sua mochila, a cerca de 350 metros do local onde ele foi socorrido, em São Gonçalo dos Campos, na Bahia. O caso voltou a ser destaque após o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determinar a prisão imediata de Vanderley dos Santos, que foi acusado de estelionato. As investigações revelaram que ele amputou o próprio pé para tentar receber indenizações de quatro seguradoras diferentes.
Na ocasião, Vanderley relatou à polícia que havia sido sequestrado e assaltado. De acordo com seu depoimento, ele teria sido abordado por criminosos armados em uma estrada rural, que o teriam agredido e amputado seu pé direito com um facão antes de fugirem. No entanto, essa versão começou a desmoronar quando a polícia encontrou sua mochila a aproximadamente 350 metros do local do socorro. Dentro dela, estavam todos os itens que ele alegava ter sido roubados, além do próprio membro amputado.
As suspeitas sobre a veracidade do relato aumentaram após exames periciais que indicaram que o corte apresentava características de uma amputação feita com técnica cirúrgica, e não por agressão violenta. Os laudos do Instituto Médico Legal (IML) e de uma perícia médica contratada pelas seguradoras mostraram que as bordas do corte eram limpas, com ligamentos e separação óssea perfeitos, o que impossibilitava a hipótese de um ataque de rua.
Adriano Scattini, um dos representantes das seguradoras que estavam sendo alvo do golpe, afirmou que a pessoa que ajudou Vanderley possuía conhecimento de técnicas cirúrgicas, o que invalidou sua alegação de ter sido vítima de um assalto violento. A sentença judicial reforçou que o réu agiu de forma premeditada, arquitetando sua automutilação como uma maneira de enriquecer ilicitamente.
Os desembargadores do Tribunal de Justiça da Bahia validaram as provas apresentadas, que incluíam laudos cirúrgicos, relatórios financeiros e depoimentos de testemunhas, mantendo a condenação de Vanderley em segunda instância. O caso levanta questões sobre a segurança e a ética no sistema de seguros, além de destacar a gravidade de atos de automutilação para fins fraudulentos.