Ikaro Kadoshi, um dos principais nomes da primeira edição da DragCon na América Latina, abriu o coração sobre as dificuldades enfrentadas devido ao preconceito. Em entrevista, ele mencionou que muitos não compreendem a arte drag nas redes sociais e que os artistas ainda lidam com muito ódio gratuito.
Para Ikaro, a DragCon Brasil representa um marco na história da expressão artística drag. Ele afirmou: “Eu não imaginava que isso fosse possível. Eu faço drag há 25 anos e saber que a nossa arte está marcada na história é maravilhoso. A gente tem uma história riquíssima de drags que estão aí desde 50, 40, 30, lutando para que a gente tivesse o que temos hoje.” Participar da feira foi uma experiência mágica para o apresentador.
Esta foi a primeira vez que Kadoshi participou de uma DragCon e teve a oportunidade de desfilar no Pink Carpet, um momento que sempre acompanhou pelas redes sociais nas edições internacionais do evento. No dia 5 de julho, durante o primeiro dia do evento que ocorreu em São Paulo, ele finalmente teve essa chance.
A importância de celebrar sua existência foi um tema recorrente na fala de Kadoshi, especialmente em relação à Parada do Orgulho LGBT+, que aconteceu no dia 7 de julho. Para ele, ir à Avenida Paulista é um rito de passagem. “Eu vou à Parada, independentemente de como, para lembrar que estou vivo e para caminhar com os meus”, destacou, referindo-se ao Brasil como o país com o maior número de mortes violentas de pessoas LGBTQIAPN+ no mundo, conforme relatórios do Grupo Gay da Bahia (GGB).
Grag Queen, que ganhou notoriedade ao vencer a primeira temporada do Queen of the Universe, também foi uma das atrações principais da DragCon Brasil 2026. Para ela, o evento foi como viver a festa de 15 anos que nunca teve.
A relevância da Parada foi enfatizada por Grag, que disse: “É muito importante a gente estar na rua, a gente mostrar a nossa potência, a gente mostrar que mesmo eles tentando fazer por todos os meios diminuir a gente, tem coisa que não dá pra voltar atrás.” A artista reafirmou a importância da união e da visibilidade, prometendo que estarão na rua, “montadas, belíssimas, cantando”.