As Forças Armadas do Irã informaram na última segunda-feira (8) a suspensão das ações militares direcionadas a Israel, afirmando que já aplicaram uma ‘resposta dolorosa’. A declaração foi feita pelo comando militar conjunto Khatam al-Anbiya, que também advertiu que, caso Israel retome os ataques ao sul do Líbano, as represálias poderão ser ainda mais intensas. Essa decisão ocorre em um contexto de crescente tensão entre os dois países.
Anteriormente, a Guarda Revolucionária do Irã havia sinalizado que os ataques poderiam se estender ao longo da semana. Contudo, um relatório do jornal Israel Hayom revelou que Israel comunicou a Teerã, através de mediadores, que não realizaria novos ataques, desde que o Irã também interrompesse seus bombardeios. Essa negociação parece ter sido influenciada por uma ligação entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que levou o premiê a considerar a suspensão das ofensivas.
A pressão de Trump foi evidenciada em publicações em sua rede social, Truth Social, onde pediu um cessar-fogo imediato entre Israel e Irã. Em uma segunda postagem, Trump destacou que as negociações para a paz estavam em andamento, mas poderiam ser prejudicadas pela ignorância ou estupidez. Ele também mencionou que o bloqueio permaneceria firme até que um acordo final fosse alcançado, ressaltando a urgência da situação.
Essas declarações surgiram após Trump ter afirmado, em entrevista ao jornal Financial Times, que Netanyahu não teria alternativa a não ser aceitar um acordo com o Irã. O presidente dos EUA enfatizou que a responsabilidade pela escalada de conflitos recai diretamente sobre os Estados Unidos, que, de acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, são parte fundamental da dinâmica do conflito.
A escalada de hostilidades se intensificou após Israel romper um cessar-fogo com o Líbano, resultando em bombardeios aéreos que deixaram duas pessoas mortas e 20 feridas em Beirute. O governo iraniano justificou sua resposta, afirmando que as ações israelenses ultrapassaram os limites estabelecidos por acordos internacionais. Em reação, as autoridades do Irã e do Iraque decidiram fechar seus espaços aéreos e suspender todas as rotas de aviação civil por um período de 72 horas.
Além disso, o comando militar da Guarda Revolucionária anunciou que dezenove bases americanas no Oriente Médio voltaram a ser consideradas alvos militares. A tensão provocou um aumento no preço do petróleo, que subiu quase 5%, alcançando valores próximos a 100 dólares por barril do tipo Brent, referência internacional. A situação permanece delicada, com a possibilidade de novos desdobramentos no conflito entre Israel e Irã.