O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o ministro Alexandre de Moraes seja considerado suspeito para julgar as questões relacionadas ao Banco Master, o que é visto como o maior escândalo financeiro na história do Brasil. Na petição, Flávio argumenta que as petições já enviadas a Moraes devem ser transferidas ao ministro André Mendonça, que atua como relator da ação que investiga as irregularidades associadas à instituição financeira de Daniel Vorcaro. O pedido de Flávio foi feito na última segunda-feira (1º) e agora está sob análise do presidente da Corte, Edson Fachin.
Os advogados de Flávio Bolsonaro levantam questões sobre uma suposta relação entre Moraes e Vorcaro, mencionando alegadas trocas de mensagens entre eles. Além disso, a defesa cita um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, que, conforme documentos obtidos pela CPI do Crime Organizado, teria recebido cerca de R$ 80 milhões em serviços jurídicos prestados à empresa de Vorcaro.
A solicitação da equipe jurídica de Flávio ocorre após Moraes ter requisitado à Procuradoria-Geral da República a inclusão do senador no inquérito que investiga seu irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Eduardo é réu por supostas ações de coação e obstrução da Justiça relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro, que resultaram na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão.
A investigação conduzida por Moraes sobre Flávio no caso Master foi provocada por um pedido do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que solicitou a apuração do senador após o vazamento de áudios em que Flávio aparece pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar a campanha política de Jair Bolsonaro.
As investigações indicam que aproximadamente R$ 61 milhões foram direcionados a um fundo vinculado a Eduardo Bolsonaro nos EUA, levantando a suspeita de que esses recursos tenham sido utilizados para apoiar as ações do ex-deputado contra autoridades brasileiras.
Na petição, a defesa de Flávio afirma: "Esses dois dados objetivos nos permitem dizer, sempre com o máximo respeito, que sua Excelência não teria a imparcialidade necessária para processar e julgar o requerimento enviado pelo Deputado Federal Lindbergh Farias, principalmente porque tal requerimento envolve não só o Banco Master, mas TAMBÉM Daniel Vorcaro". Flávio TAMBÉM solicita que o pedido do deputado Lindbergh seja desvinculado do inquérito que está sob a relatoria de Moraes e que seja tratado em uma nova ação, a ser designada ao ministro André Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro.