Na manhã de 27 de maio de 2026, a Polícia Federal (PF) deu início a uma nova fase da Operação Sem Desconto, que tem como alvo quatro associações suspeitas de terem faturado cerca de R$ 700 milhões por meio de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. As ações estão sendo realizadas em São Paulo, Pernambuco, Paraíba e no Distrito Federal.
As entidades investigadas são Brasil Clube de Benefícios, Master Prev, ANDAPP e AASAP. De acordo com as investigações, documentos internos dessas associações, que foram acessados pela PF, juntamente com relatórios do Coaf, revelam que dirigentes desviavam recursos obtidos de aposentados para empresas de sua propriedade.
Além disso, as apurações indicam que as associações implementaram um sistema próprio de biometria com a finalidade de fraudar assinaturas de beneficiários associados. Documentos analisados pela PF também mostram pagamentos realizados a familiares de dirigentes do INSS por meio de empresas vinculadas às associações em questão.
A PF identificou ainda gastos significativos em concessionárias de veículos esportivos, joalherias de alto padrão e aquisição de embarcações. Somadas, as quatro associações movimentaram cerca de R$ 700 milhões em descontos sobre as mensalidades aplicadas a benefícios previdenciários.
Esta fase da Operação Sem Desconto visa aprofundar as investigações sobre crimes relacionados à administração pública, incluindo a formação de organização criminosa, estelionato previdenciário, ocultação de patrimônio e dilapidação patrimonial.
Ao todo, a operação está cumprindo 31 mandados de busca e apreensão, além de oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico e outras ações constritivas que foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que é o relator do caso na Corte.